De demanda à carreira: como a acessibilidade transforma profissionais e produtos

Uma carreira em acessibilidade não começa com certeza — começa com um desconforto: “tem algo errado aqui”. Foi exatamente esse incômodo que transformou a trajetória de Paulo Aguilera e mostra como acessibilidade deixa de ser detalhe para virar estratégia.

O que você vai encontrar neste episódio:

  • O momento em que acessibilidade deixou de ser periférica na carreira
  • Como um projeto “sem briefing” virou porta de entrada para o tema
  • O papel da WCAG na prática de times de design
  • A relação entre UX, acessibilidade e experiência real
  • Por que acessibilidade não pode ser responsabilidade de uma pessoa só
  • O impacto de design systems na escala da acessibilidade
  • O que é Design Ops na prática (sem complicação)
  • Como estruturar processos para não depender de esforço individual
  • Liderança inclusiva além do discurso
  • Os riscos do microgerenciamento em times diversos
  • Como diversidade impacta diretamente o produto
  • Barreiras reais enfrentadas por pessoas com deficiência no trabalho
  • O desafio de criar ambientes acessíveis (físicos e digitais)

Design e acessibilidade: contexto, cultura e prática

Neste episódio a conversar é com a Sandyara Peres que fala sobre sua trajetória pessoal e profissional no design e na acessibilidade digital. Ela aborda diagnóstico de autismo e TDAH, identidade étnica Roma, formação em tecnologia, atuação com design systems, liderança de equipes multidisciplinares e os impactos da inteligência artificial nos processos de design.

Sandy compartilha experiências em grandes organizações, projetos sociais e na academia, defendendo a acessibilidade como infraestrutura para o futuro, baseada em qualidade, contexto e responsabilidade ética — e não como uma pauta isolada ou militante.

Braille na era digital: tecnologia viva, ainda pouco considerada

Quando falamos em acessibilidade digital, ainda é comum que o debate se concentre quase exclusivamente em leitores de tela e soluções baseadas em áudio. Embora essas tecnologias sejam fundamentais, elas não dão conta de toda a complexidade da experiência de uso. O braille continua sendo uma tecnologia essencial — e muitas vezes invisibilizada — dentro do ecossistema digital.

Diferente da percepção de que o braille pertence apenas ao papel, ele está presente hoje em displays eletrônicos, impressoras, softwares e dispositivos conectados a leitores de tela. Esses equipamentos permitem leitura silenciosa, navegação precisa e um controle fino da informação, algo que o áudio, sozinho, não consegue oferecer em diversas situações.

O braille também não é simples ou limitado. Ele possui notações específicas para matemática, música, ciência e até programação. São sistemas complexos, técnicos e fundamentais para a autonomia de pessoas cegas em contextos educacionais, profissionais e científicos. Ignorar isso é reduzir drasticamente o potencial de acesso ao conhecimento.

Onde o braille aparece, de fato, nos produtos digitais

Displays braille conectados a leitores de tela

Displays braille são dispositivos físicos que se conectam a computadores e smartphones via USB ou Bluetooth e traduzem o conteúdo da tela em braille dinâmico, usando pinos móveis.

Exemplos de uso em produtos digitais:

  • Navegação em sistemas complexos, como ERPs, sistemas financeiros ou ferramentas corporativas, onde o usuário precisa revisar dados linha a linha;
  • Leitura e edição de textos longos, como documentos, e-mails ou códigos;
  • Uso profissional em ambientes silenciosos, onde áudio não é viável ou desejado;
  • Revisão precisa de termos técnicos, nomes próprios, números e estruturas hierárquicas.

O pessoal do canal Inclunet fez um vídeo muito didatico sobre o equipamento:

Aqui, decisões de produto impactam diretamente a experiência: estrutura semântica correta, ordem lógica do conteúdo e feedbacks textuais fazem toda a diferença no uso com braille.

Braille em matemática, ciência e dados

Braille não é apenas leitura de texto corrido, existem códigos específicos para ciência e para a matemática, como o Código Matemático Unificado. Nesse cenário, as fórmulas matemáticas precisam ser bem codificada, para o Braille leia o conteúdo de maneira correta

Exemplos de uso:

  • Plataformas educacionais com fórmulas matemáticas e expressões científicas;
  • Ambientes de ensino de estatística, física ou engenharia;
  • Leitura de gráficos e tabelas descritas corretamente, permitindo navegação célula a célula;
  • Softwares acadêmicos que permitem estudar, escrever e revisar equações de forma autônoma.

Quando produtos digitais não estruturam corretamente fórmulas, tabelas e hierarquias, o uso com braille se torna praticamente inviável.

Braille na música digital

Existe notação braille específica para música, amplamente usada por músicos cegos.

Exemplos de uso:

  • Softwares de composição musical acessíveis;
  • Plataformas educacionais de ensino de música;
  • Leitura de partituras musicais em braille por meio de displays eletrônicos;
  • Estudo individual de peças musicais sem depender de áudio ou memorização.

Nesse contexto, acessibilidade não é só “escutar”, mas ler música de forma estruturada.

Braille e programação

Programadores cegos usam braille para lidar com algo que o áudio não resolve bem: estrutura e precisão do código.

Exemplos de uso:

  • Leitura de código com indentação clara e controle de blocos;
  • Navegação por linhas, símbolos e estruturas condicionais;
  • Identificação precisa de erros de sintaxe;
  • Comparação entre trechos de código.

Produtos voltados a desenvolvimento, editores de código e plataformas educacionais precisam considerar essa forma de interação para serem realmente inclusivos.

Braille em interfaces web e aplicativos

Aqui entra diretamente o papel de quem trabalha com design e produto.

Exemplos práticos:

  • Uso correto de HTML semântico para navegação por headings em displays braille;
  • Formulários com rótulos claros e mensagens de erro textuais;
  • Componentes de interface que respeitam ordem de foco e leitura;
  • Feedbacks de estado que não dependem apenas de cor ou ícone.

Quando a interface é mal estruturada, o display braille “mostra” isso imediatamente ao usuário.

Braille em contextos profissionais e cotidianos

Além do uso técnico, braille está presente em atividades comuns:

  • Uso de aplicativos bancários e financeiros;
  • Leitura de contratos e documentos digitais;
  • Navegação em sistemas de trabalho remoto;
  • Uso de plataformas de comunicação corporativa.

Nesses casos, a ausência de suporte adequado ao braille significa perda direta de autonomia.

No Youtube, o Gallagher123123 fez um vídeo mostrando como usar o teclado Braille no Android, o vídeo tem mais de 20 minutos, para ver a funcionalidade adiante o vídeo para o minuto: 19:50.

Então por que o braille ainda aparece tão pouco nas discussões sobre produtos digitais?

O problema não está na ausência de tecnologia. Está na ausência de consideração. Na maioria dos projetos, o braille raramente entra no escopo desde o início. Ele não aparece nos critérios de aceitação, não é contemplado nos testes e dificilmente influencia decisões de design ou arquitetura de produto. Quando surge, costuma ser tratado como exceção ou adaptação tardia.

Há também desafios estruturais importantes. Displays braille ainda têm custo elevado, baixa disponibilidade e pouca integração nativa com muitos sistemas e interfaces digitais. Mas esses fatores não podem servir como justificativa para a exclusão sistemática dessa camada da experiência. Pelo contrário, deveriam reforçar a necessidade de decisões mais responsáveis e conscientes desde o projeto.

Pensar acessibilidade como solução única é um erro recorrente. Acessibilidade real é multimodal. Ela combina braille, áudio, visual, interação tátil e diferentes formas de navegação. Não se trata de substituir uma tecnologia por outra, mas de complementar. De reconhecer que pessoas diferentes acessam, leem e interagem de formas diferentes.

Quando falamos de braille, estamos falando de pessoas reais, usando tecnologia real, em contextos reais de estudo, trabalho e vida cotidiana. Ignorar isso é limitar o alcance, a qualidade e a ética dos produtos que criamos.

Aqui insistimos em um ponto central: acessibilidade não é a camada final. é parte do projeto. Ela precisa estar presente nas decisões iniciais, nos processos, nos testes e na cultura dos times.

A pergunta que fica, especialmente para quem trabalha com design, produto ou tecnologia, é direta:o uso de tecnologias braille entra no seu processo ou ainda fica fora do radar?


Gostou do texto? Confira também outro texto sobre Braille e a sua jornada na era digital.

Leis, lucro e acessibilidade: por que acessibilidade faz diferença?

Bem‑vindas e bem‑vindos ao episódio 13 do Foco Acessível. Hoje temos a honra de receber a PhD em acessibilidade digital e inclusão, empreendedora e pesquisadora Virgínia Chalegre — que traz mais de 25 anos de atuação em TI, testagem, qualidade de software e acessibilidade. Vamos explorar como ela fundou a empresa t-access, como o desafio do teste com pessoas cegas se tornou um divisor de águas em sua carreira, e como hoje ela orienta equipes e empresas a construir experiências digitais inclusivas, que vão além da conformidade legal.

Se você é desenvolvedor, designer, tester ou lidera produto, prepare‑se para dicas práticas sobre como aplicar empatia no ciclo de desenvolvimento, envolver pessoas com deficiência desde o início, focar em resultados efetivos — não apenas checklists — e preparar seu time para os desafios técnicos da acessibilidade, inclusive no contexto emergente da inteligência artificial.

Autonomia não vem pronta: acessibilidade além das boas intenções

Bem‑vindas e bem‑vindos ao episódio 13 do Foco Acessível. Hoje temos a honra de receber a PhD em acessibilidade digital e inclusão, empreendedora e pesquisadora Virgínia Chalegre — que traz mais de 25 anos de atuação em TI, testagem, qualidade de software e acessibilidade. Vamos explorar como ela fundou a empresa t-access, como o desafio do teste com pessoas cegas se tornou um divisor de águas em sua carreira, e como hoje ela orienta equipes e empresas a construir experiências digitais inclusivas, que vão além da conformidade legal.

Se você é desenvolvedor, designer, tester ou lidera produto, prepare‑se para dicas práticas sobre como aplicar empatia no ciclo de desenvolvimento, envolver pessoas com deficiência desde o início, focar em resultados efetivos — não apenas checklists — e preparar seu time para os desafios técnicos da acessibilidade, inclusive no contexto emergente da inteligência artificial.

Acessibilidade é lei na Europa: o que o European Accessibility Act ensina ao Brasil

Acessibilidade digital deixou de ser só uma boa prática: agora é lei na União Europeia. E não é uma recomendação leve — estamos falando de punições financeiras reais para empresas que não tornam seus sites, aplicativos e produtos acessíveis. Desde junho de 2025, está em vigor o European Accessibility Act (EAA), uma diretiva que pode muito bem inspirar mudanças por aqui também.

Mas mais do que um alerta jurídico, o EAA é um convite para repensar o papel da acessibilidade na estratégia de produtos. Especialmente se você trabalha com design, tecnologia ou negócios digitais, o que está acontecendo na Europa pode ser uma chance de rever prioridades, conquistar aliados e defender investimentos que antes pareciam “secundários”.

Se você ainda está tentando convencer sua liderança a investir em acessibilidade — ou se você é a liderança — vem comigo.

O que é o European Accessibility Act?

O EAA é uma diretiva da União Europeia aprovada em 2019 e que passou a valer, de fato, em 28 de junho de 2025. Ele exige que empresas que vendem produtos e serviços para consumidores europeus tornem seus produtos acessíveis — incluindo sites, apps, e-commerces, terminais de autoatendimento, e-books, caixas eletrônicos, e até serviços de transporte e telecomunicação.

O objetivo é simples: padronizar as exigências de acessibilidade em todos os países da União Europeia, o que antes variava de um país para outro. Na prática, isso significa que:

  • Se você vende na Europa e seu app não é acessível, pode ser multado;
  • Cada país da UE pode aplicar sanções separadamente;
  • As penalidades variam, mas podem ser altas — em alguns casos, comparáveis às do GDPR (que chegam a 20 milhões de euros ou 4% da receita global da empresa, o que for maior).

Mesmo que sua empresa não atue na Europa, vale olhar para essa mudança como um termômetro de para onde o mundo está indo. E também como uma excelente oportunidade de trazer a conversa sobre acessibilidade para o centro da mesa.

Por que isso importa (mesmo para quem não vende para a Europa)

Talvez você esteja pensando:

“Ok, mas minha empresa só atende o Brasil. O EAA não me afeta, certo?”

Errado — e por dois grandes motivos:

1. Tendências globais ditam expectativas locais

Leis como o EAA e o GDPR criam um efeito dominó: mesmo que sua empresa não atue na Europa, as práticas exigidas por lá acabam influenciando o mercado inteiro. Plataformas globais, frameworks, bibliotecas e até clientes multinacionais começam a cobrar acessibilidade como padrão. E você não vai querer ficar pra trás.

Além disso, muitos usuários brasileiros vivem na Europa ou consomem serviços que seguem padrões internacionais. Isso eleva a régua de expectativa e muda a percepção de qualidade do seu produto.

2. Acessibilidade é um diferencial competitivo

Num mercado saturado, onde todo app parece igual, acessibilidade vira critério de escolha. Um site acessível carrega melhor, funciona em mais dispositivos, agrada mais perfis de usuários e reduz atrito. Ou seja: melhora conversão, fidelização e reputação.

E mais: quanto antes você começar, mais barato será manter a acessibilidade como parte do seu processo de design e desenvolvimento. Esperar uma lei bater na porta não é estratégia — é apagar incêndio.

3 motivos de negócio para investir em acessibilidade

Se falar em inclusão não convence seu time, aqui vão argumentos que mexem no bolso:

1. Evitar multas pode ser mais barato do que ignorar acessibilidade

O EAA prevê penalidades semelhantes às do GDPR: até 20 milhões de euros ou 4% do faturamento global. E como cada país da UE pode fiscalizar, você pode ser multado mais de uma vez.

Investir algumas horas da sua equipe, fazer testes de acessibilidade e aplicar boas práticas custa bem menos do que enfrentar sanções, retrabalho e desgaste de imagem.

2. Acessibilidade amplia seu mercado potencial

Alguns dados:

  • 7% das crianças no mundo têm dislexia 1
  • 8% dos homens brancos europeus têm daltonismo vermelho-verde 2

E isso sem contar pessoas com deficiência auditiva, baixa visão, neurodivergências, idosos, ou qualquer pessoa com limitação temporária.

Você quer mesmo deixar essas pessoas de fora?

Acessibilidade é porta de entrada para milhares de usuários que querem — e podem — usar seu produto, desde que ele esteja preparado para recebê-los.

3. Acessibilidade melhora a experiência para todo mundo

“Web accessibility: essential for some, useful for all.”

W3C

Alguns exemplos:

  • Comandos de voz: úteis para quem tem mobilidade reduzida ou está dirigindo;
  • Legendas: essenciais para pessoas surdas, mas salvam quem está no metrô sem fones;
  • Modo escuro: conforto para quem tem fotossensibilidade e para quem usa o celular à noite;
  • Text-to-speech: fundamental para cegos, mas ótimo para ouvir artigos enquanto lava louça;
  • Boa arquitetura de informação: ajuda pessoas neurodivergentes — e todo mundo que odeia se perder num app mal feito.

E o Brasil com isso?

A gente também tem leis — a principal delas é a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que obriga a acessibilidade em sites de empresas e órgãos públicos. Está em vigor desde 2015, mas pouco fiscalizada.

Em 2025, o Brasil deu um passo importante com a criação da ABNT NBR 17225:2025, norma técnica sobre acessibilidade em produtos digitais. Ela complementa a WCAG 2.1 nível AA, que já é o padrão global mais adotado.

Ou seja: a base já existe. E com a nova norma da ABNT, espera-se que ações judiciais e cobranças cresçam nos próximos anos.

Se sua empresa vende só no Brasil, vale seguir a WCAG + NBR 17225.

Se vende fora, já deveria estar fazendo isso há tempos.

Como começar: acessibilidade na prática

Acessibilidade não é um projeto com começo, meio e fim. É parte da qualidade do que você entrega.

Avalie onde você está: use ferramentas como WAVE, axe ou Lighthouse; teste navegação por teclado e leitores de tela; faça testes com pessoas com deficiência.

Use os padrões certos: a WCAG 2.1 AA é a principal referência; ela é usada no EAA e na norma brasileira da ABNT.

Crie uma cultura acessível: Adicione critérios de acessibilidade no backlog; Faça revisões com foco em inclusão; Engaje design, devs, QA e conteúdo.

Fechando a conta: acessibilidade é qualidade, estratégia e justiça

A chegada do European Accessibility Act mostra que o mundo está levando acessibilidade a sério. E a gente também deveria.

Você não precisa saber tudo para começar. Precisa só dar o primeiro passo com intenção e responsabilidade. Aprender aos poucos. Incluir. E melhorar.

“[…] Leva 4 horas para aprender o suficiente para começar a desenvolver de forma acessível. Em uma semana, você já será competente em várias áreas.”

— Sheri Byrne-Haber 3

Links úteis

Se aprofunde no conteúdo:

  1. WCAG 2.1 em português – Guia WCAG
  2. Texto oficial da European Accessibility Act (em inglês)
  3. Ferramenta de auditoria gratuita: axe DevTools
  4. Giving a Damn About Accessibility – Sheri Byrne-Haber
  5. Web Accessibility Perspectives – vídeos curtos da W3C

Confira as referências:

  1. 1 Meta-analysis on the prevalence of dyslexia in children — Yang L, Li C, Li X, Zhai M, An Q, Zhang Y, Zhao J, Weng X. Brain Sciences. 2022; 12(2):240.
    DOI: https://doi.org/10.3390/brainsci12020240
  2. 2 Worldwide prevalence of red-green color deficiency — Jennifer Birch. Journal of the Optical Society of America A, 2012; Vol. 29, Issue 3, pp. 313–320.
    DOI: https://doi.org/10.1364/JOSAA.29.000313
  3. 3 Giving a Damn About Accessibility

Barreiras invisíveis e soluções reais: acessibilidade como motor de mudança

Como é viver no limbo entre ser vidente e ser cega? Que tipo de barreiras — técnicas, sociais e institucionais — ainda afastam pessoas com deficiência visual do acesso pleno à tecnologia? E como a acessibilidade pode ser tratada com o mesmo rigor e criatividade que qualquer outro desafio de design?

Neste episódio, falamos com Isabelle Ustch, especialista em acessibilidade digital e criadora da Ameli.

Com um olhar crítico e acolhedor, Isabelle compartilha sua vivência entre barreiras invisíveis e conquistas concretas, desde os tempos de escola até sua atuação atual na Vivo e na indústria de games acessíveis.

Design é responsabilidade: acessibilidade, inclusão e futuros possíveis

No 10º episódio do Foco Acessível, celebramos uma trajetória com Jana Branco, designer estratégica e professora, que compartilha sua vivência na intersecção entre inovação, acessibilidade e transformação social. Conversamos sobre inclusão como mentalidade, desafios enfrentados por mulheres no setor de tecnologia e o papel do design ético em um futuro mais justo.

De Caruaru para o mundo, Jana nos inspira a repensar o design como potência para o coletivo. Uma conversa densa, provocadora e cheia de caminhos possíveis.

Design sem bolha: cultura, comunidade e acessibilidade digital

Neste episódio do Foco Acessível, recebemos Vitor David, product designer especializado em acessibilidade digital e design inclusivo. A conversa começa com sua trajetória pessoal e profissional — da vivência com diversidade em uma escola de música até os desafios de implementar acessibilidade em grandes empresas como Bradesco Seguros, GPA e Hand Talk.

Discutimos como transformar acessibilidade em prática cotidiana dentro das equipes, os desafios culturais enfrentados em ambientes corporativos, e as oportunidades de inovar mesmo com limitações técnicas. Victor compartilha experiências com Design Systems acessíveis, testes com pessoas cegas, e uma análise crítica sobre as heurísticas de usabilidade à luz da neurodiversidade.

Também falamos sobre sua atuação como mentor e fundador da comunidade @JovensUxUi, e como é possível promover inclusão, mesmo sem grandes recursos, a partir de uma rede de apoio entre pessoas.

Um episódio cheio de provocações sobre o papel do design na construção de experiências digitais verdadeiramente acessíveis.

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