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Foco Acessível Do lado esquerdo, dois círculos — um maior (tracejado, sem preenchimento) e um menor (preenchido). Ao lado, o texto “Foco Acessível”, apresentado na cor verde escuro.
Episódio #12 / 01:30:04
Mulher sorridente de pele clara e cabelos cacheados na altura dos ombros. Os cachos são predominantemente escuros com mechas em tom avermelhado. Ela tem olhos castanhos, está usando uma blusa preta e exibe uma tatuagem de flores no ombro esquerdo. A foto é tirada em ambiente interno, com fundo escuro e quadros parcialmente visíveis

Autonomia não vem pronta: acessibilidade além das boas intenções

Ana Gouvêa • Accessibility Product Designer

Designer cega e referência em acessibilidade digital, Ana Goveia compartilha sua trajetória, desafios e aprendizados no segundo episódio do podcast Foco Acessível. Uma conversa inspiradora e sem romantismo sobre inclusão real na tecnologia.

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No segundo episódio da nova temporada do Foco Acessível, recebemos Ana Goveia — designer de produto, referência em acessibilidade digital e cega. Entre risadas e reflexões, Ana compartilha sua trajetória desde o diagnóstico da retinose pigmentar até se tornar uma voz ativa na comunidade tech.

Um papo direto sobre capacitismo, autonomia, transição de carreira e a importância de criar produtos pensados para todas as pessoas. Sem filtro, sem floreio, mas com muito insight.

Junte-se a nós nesta conversa inspiradora e informativa sobre o futuro da tecnologia acessível! E não se esqueça de acessar os links e à transcrição desta conversa e nos seguir nas redes sociais: LinkedInInstagramTikTokBluesky E se você tiver alguma sugestão ou feedback, adoraríamos ouvir de você - participe e contribua para tornar o mundo um lugar mais acessível e inclusivo para todos.

Índice do episódio

  • 00:00:07 - Abertura
  • 00:00:49 - Autodescrição de Wagner
  • 00:01:36 - Biografia da convidada
  • 00:02:50- Pergunta 1
  • 00:03:15- Autodescrição da convidada
  • 00:06:36 - Pergunta 2
  • 00:11:20 - Pergunta 3
  • 00:18:27 - Pergunta 4
  • 00:25:08 - Pergunta 5
  • 00:33:51- Pergunta 6
  • 00:41:57- Pergunta 7
  • 00:45:44 - Pergunta 8
  • 00:52:22- Pergunta 9
  • 00:55:57 - Pergunta 10
  • 01:00:31 - Pergunta 11
  • 01:07:29 - Pergunta 12
  • 01:13:29 - Pergunta 13
  • 01:13:29 - Pergunta 13
  • 01:17:36 - Pergunta 14
  • 01:21:33 - Indicações de profissionais
  • 01:24:09 - Dica da convidada
  • 01:26:17 - Pergunta 15
  • 01:29:13 - Mensagem final
  • 01:29:20 - Encerramento

Biografia do especialista

Ana Gouvêa é mãe de Pedro e de 2 pets felinos, Catarina e Jeffy. Grisalha por opção e marombeira por indicação médica, porque a vida de adulta não poderia ser fácil logo na minha vez, então é bom deixar a terapia e o colesterol em dia. Designer de produto com foco em acessibilidade digital e para irritar ela, só basta dizer que o time vai deixar a acessibilidade pra uma sprint dedicada. Nas horas vagas, ela com certeza estará lendo e ouvindo música - sim, ao mesmo tempo, e se dedicando ao hiperfoco aleatório do momento. Se quiser conversar sobre inclusão, perfumaria, decoração de apartamentos pequenos, tatuagens ou livros de fantasia épica, só marcar para falar com ela, mas isso tudo embalado, de preferência com uma boa cerveja artesanal.
Edição do episódio: Booa, Paulo! Design & Multimídia

Interlocutores: Wagner Beethoven e Ana Gouveia

Interlocutores: Wagner Beethoven e Ana Gouveia

Wagner Beethoven: Vamos lá. Boas-vindas a todas as pessoas que estão aqui em mais um episódio do Foco Acessivo. Esse podcast que traz profissionais na área da tecnologia para compartilhar suas experiências e suas vivências no mundo da acessibilidade. Hoje a gente vai entrar no segundo episódio da segunda temporada. Essa primeira temporada ela trouxe grandes nomes de acessibilidade no Brasil. Nós trouxemos cientistas, acadêmicos, eh profissionais de eh pesquisa, profissionais e de desenvolvimento e designers. E agora a gente continua trazendo só gente fera. Hoje a gente vai a gente vai conversar com Ana Goveia, mas antes de apresentar eu vou me autodescrever. Eu sou Wagner, eu sou um homem de pele branca, tenho cabelo

Ana Gouveia: penteado para o lado, curto e castanho. A barba é grisalha curta. Eu uso óculos de para mil pia com armação preta. Tenho dois alargadores e e dois pistem em cada orelha. Tô vestindo hoje uma camisa preta com eh e desenhado em Libras fé, paz, amor e união em verde. Essa camisa, ela tá disponível à venda na loja do Foco Acessível que a gente tá lançou recentemente para poder custear o a produção do do conteúdo, tá? E aí, eh, agora eu vou apresentar a nossa convidada, que eu acho que todo mundo já conhece, né, que ela é uma figura muito forte na internet, né? Dona Goveia é mãe de Pedro, mãe de dois pets felinos, Catarina e Jeff, é grisalha por opção e marambeira por indicação médica, porque a vida adulta não poderia ser fácil logo na vez dela. Então, é bom deixar a terapia e o colesterol em dias. Ela é designer de produto com foco em acessibilidade digital e para irritar ela, só basta dizer que o time vai deixar acessibilidade para sprint e o sprint dedicada nas horas vagas. Ela com certeza vai táar lendo e ouvindo música ao mesmo tempo e se dedica eh ao hiperfoco aleatório do momento. E se quiser conversar com ela sobre inclusão, perfumaria, decoração de apartamentos pequenos, tatuagens ou livre de fantasia épica, é só marcar para falar com ela. Porém, tem que ser tudo embalado com cerveja artesanal

Wagner Beethoven:. Muito bem-vindo, Ana, e muito obrigado por estar aqui conosco. Imagina, eu que agradeço. Uma honra tá aqui, né? Tô limpo aqui. Tô até envergonhada. E assim agora com esta apresentação, fiquei parecendo um shopping center, né? Poste pirango. Quiser conversar só. Eu me que você falou negócio do posto Pirango, acabei me embalando aqui na na gaitada. Eh, você tem uma marcante uma presença muito marcante para mim, né? Todas as apresentações que eu vi, eh, você costuma se apresentar de forma muito humana e de forma muito bem humorada. Aí eu queria aqui hoje saber como é que você se apresenta nos espaços eh de trabalho e na comunidade, né? Como é que existe essa apresentação da sua persona nesses meios?

Ana Gouveia: Acho que eu vou inclusive começar me apresentando, né? Tu já me apresentou, mas o gente. Eu sou uma mulher branca, muito branca, de cabelo cacheado, grisalho, natural. É literalmente preto e branco meu cabelo longo abaixo do ombro, bem encaixado. ã, vários piercings nas orelhas, talvez o fone de ouvido esteja ocultando olhos grandes e castanhos. Entretanto, em geral, tô com a pálpebra meio pálpebra, meio abaixadinha, porque eu tenho muita sensibilidade com a luz e no computador normalmente muitas luzes, né? por conta de eu ser cega, né, legalmente cega, eu tenho essa hipersensibilidade. Enfim, seguindo com a descrição, tô com moletom preto, salvo engano, é um que tá escrito Dead and Alive e são gatos vivos em esqueletos de gatos. Aquele negócio do gato de Schredinger, que inclusive também tenha o tatuado, né? Sempre vai ter uma tatuagem de referência. E o resto da descrição já não vou saber o que que tem a fundo e as cor das coisas. Daí é com quem tá vendo, né? Deixo para vocês aí. Em geral me descrevo assim, né? Eu sei que não faz parte da técnica da autodescrição. Autodescrição que a gente é dentro da técnica da audiodescrição. Eu sempre gosto de dizer isso porque o nome da técnica de fato é audiodescrição. Eu sei que não é ã tecnicamente não é certo a gente descrever coisa subjetiva ou que não é visto. Eu literalmente deveria ter descrito só uma imagem, só que como tu falou, né? tem que trazer fato. E se eu não falar agora que eu sou cega, como os meus olhos são até bonitos, inclusive são bem bonitos, ã, e eu normalmente consigo olhar para quem tá falando comigo, as pessoas não percebem. Eu meu olho esteticamente não tenho aspas, cara de olho de pessoas cegas, muitas aspas aqui. Então, eu já gosto de trazer esse ponto. A depender do fórum, eu também já trago alguma neurodidade que faça sentido. Às vezes não, né? Mas daí depende bastante. Assim como eu conheço pessoas que já trazem orientação sexual, que trazem religião a depender do fórum também. Política, não indico. Fortemente não indico. É da treta. Eu acho que é sempre legal a gente trazer um tanto desse fator humano, mas a depender de onde a gente tá conversando com quem, se é um público mais amplo, se é mais restrito. E por favor, se descrevam, eu adoro essa fofoca. Eh, quando eu lancei depois do segundo episódio, eu sempre compartilhava com as com meus amigos, só sempre reclamava: "Vagner, porque toda vez tu diz que é um homem gordo, de pele branca, etc?" Eu disse: "Porque você enxerga? Tem pessoas que não enxergam, né?" Aí se um dia eu conseguir emagrecer, eu vou dizer que eu não sou um homem gordo, mas eu vou dizer que eu sou um homem magro, né? Mas aí eu sempre vou tá trazendo esse ponto, porque eu acho que é uma parte importante, né? um motivo de da gente eh normalizar isso e fazer com que todas as pessoas fiquem incluídas, né? Inclusive, por exemplo, quem esteja ouvindo o podcast, né? Não necessariamente pessoas cegas, elas vão estar ciente de quem são as pessoas, né? Que estão lá. Exatamente. E vai que eu tô passeando, encontro, sei lá, tr umbico com alguém com a minha bengala, daí eu escuto: "Oi, Wagner, eu vou abraçar?" Não, tá muito mago, não é? É, vai acontecer esse milagre quando dia aconteça, né? Mas aí, eh, passando agora para a sua jornada, né, como uma deficiência, ela começou ainda na infância. Como foi descobrir essa condição e entender ao longo do tempo eh que ela significa pra sua rotina, pros seus estudos e pra vida adulta, né? O que que eh fez com que mudasse sua mentalidade até hoje, né? Literalmente tropecei no diagnóstico, né? Tinha 11 anos, a minha mãe foi no oftalmo e me levou junto, porque não ia me deixar em casa sozinho e me pediu para pegar alguma coisa na mesa. Eu fui esticar o braço para pegar e eu derrubei absolutamente todo que tava na mesa do médico. Minha mãe começou não. Chilique, seguria tança, tança no Rio Grande do Sul é a pessoa que tropeça nas coisas, tá gente? Muitos sutaques virão aqui. E daí o médico já não pera só um minuto, deixa eu fazer um teste com essa menina. Ele fez um teste que eu já vi até no Dr. House. Nem sei se ainda tem essa série. Decretei e ele abriu os braços na minha frente, foi juntando os dedos com os indicadores, apontando para cima. Quem enxergar estou fazendo na câmera, como se fosse juntando. Assim, ele abriu um horizonte e foi juntando e me pediu para eu sinalizar quando eu visse os dedos dele. E eu fiquei olhando pro rosto dele. Na época eu ainda era baixa visão. Cabe ressaltar 37 anos atrás. E eu só eu olhando pros olhos dele e ele só foi fazendo uma cara muito de apavorado assim e ele foi fechando a cara e a minha mãe começou a chorar, só que eu tava esperando o moço descer os dedos, né? Vocês querem tá de sacanagem até que ele literalmente, sabe, ficou sei lá 10 cm uma mão da outra, muito perto realmente uma mão da outra. Tá seu menina tem retinol pigmentar cap aí galera do levanta a mãozinha que é do time da retinite retinovica isso aos 11 anos assim que lembrando, tá gente 11 eu nasci em 76 isso foi em 87 não tinha internet quem falar que tava na interna mentiu não tinha não tinha o Google para pesquisar o que que era retite pigmentos na minha enciclopédia conhecer tinha lá tinha lá meu pit enfim começamos a buscar especialistas. A gente morava, esse diagnóstico foi aqui no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, logo depois a gente mudou para Curitiba, comecei a frequentar o posto de aos 13 anos. Eu vou contar essa história de novo, tá gente? Era um pouco longa, mas vocês come eu numa época sumidade da oftalmologia, eu não vou falar o nome porque ele não merece, eu tinha 13 anos, entrei sozinha no consultório me achando, ah, empoderada, né? Agora vou entender o que que eu tenho dos meus olhos. ainda chamava de problema de visão na época. Hoje em dia só tem problema finance. E daí ele, ah, retinose. Sim, senhor. Retinose. Ele se encostou na carteira, subiu manzão assim e começou a enumerar. Tu nunca vai fazer faculdade, tu nunca vai dirigir, tu nunca vai cuidar da tua casa, tu nunca vai viajar, tu nunca vai, tu nunca, nunca, nunca. E daí eu me levantei e falei: "Tu nunca mais vai me ver". Ele na verdade não falou tudo. Falou: "Você, né, Corb? Eu só ter escrito nunca mais vim quem pensa que é para dizer que eu vou que eu não vou usar não, né, amigo? Depois a minha família descobriu que ele era conhecido por ser super grosso, isso aquilo, aquilo outro tempo. Talvez hoje eu concorde com ele que ainda não seja adequado que eu dirija, mas como tiver um carro automático, automático, vocês entenderam do sentido amplo, né? carro autônomo, vou viajar de carro sozinha, entendeu? Eu faço o que eu quiser não é umologista que vai me dizer o que eu posso, que eu não posso fazer. Isso gera um baque, lógico, ã, de a de super proteção da família, isso aquilo. E eu sempre questões que a gente vai falar daqui a pouco, eu sempre fui de de não é contra exatamente, mas eu sempre fui me questionadora, muito muito muito questionadora. Então, ah, tu não pode fazer por quê? Porque tu não enxerga nada. Tem a ver uma coisa com a outra. Eu quero cozinhar. Eu não quero tirar foto da comida. Ah, mas como é que tu vai cozinhar gente cozinhando? Inclusive cozinho muito bem. Obrigada. Então, assim, isso me deixou com casca por conta da época de eu não ter como pesquisar, não tinha material, eu mal conhecia pessoas e me deixou muito mais atenta aos capacitismos por conta da ser muito crítica, né, muito questionadora. Não vou dizer que foi fácil, não vou dizer que foi agradável, né? Talvez não tenha sido lá muito feliz igual todo mundo, mas assim, foi feliz do meu jeito, né? É muito triste, né? Uma criança todavia já enfrentando um capac, né? Já sendo subjulgada porque não enxerga, né? E aí, Ana, a tua jornada com a bengala é outro ponto interessante, né? Muita gente demora para aceitar o uso da bengala. Conheço algumas pessoas cegas que elas não usam bengala porque dizem que não gosta. Mas eh ou com vergonha, porque acham que é dar muito na cara dizer que tá andando com bengala ou por falta de informação, né? E aí você sempre traz esses pontos nas suas conversas de maneira muito leve e muito direta, né? Como foi o processo e pessoal com a bengala, né? Mudou alguma coisa? Ela te dá mais liberdade, mais naturalidade? Existe alguma bengala tecnológica hoje em dia que facilita a vida de vocês? alguma coisa para começando do começo, como é que foi? Eu achava que eu não era cego o suficiente para usar bengala. Eu achava que eu enxergava o suficiente para me virar sozinha na rua sem bengala, porque achava bengala muito feia, aquela bengala branca, aquele troço pesado, eu não gosto de andar de bolsa, sabe? Era uma coisa que me dava uma impressão de de ficar presa. Até que eu tava indo para uma entrevista de emprego e dei com a testa num orelhão. Simples assim, né? Tá, eu botei com se bem que eu bateria igual porque o orelhão a bengala eu ia bater no canto, né, ali na na aste dele, mas eu ia seguir dando com a testa. Eu tenho 1,70 m, eu estava de salto porque eu sou abusado, eu ia seguir batendo com a testa, mas enfim. Ali eu entendi que, eu não vi um orelhão, sabe? Nó só porque é, eu tava, eu não vi um orelhão, então realmente eu não enxergo tão bem dentro da minha limitação quanto eu achei que eu enxergava. Mas eu fui numa associação de cegos aqui hoje em dia perto da minha casa e ganhei uma bengala branca padrão, tá gente? Padrão, padrãozinha, feia, pesada, troncha, porém dá uma baita de uma autonomia no meu ponto de vista, tá? Pera aí, deixa de eu pensar em cair quando eu ia atravessar a rua, porque eu passei a achar o meio fio, cordão da calçada, passeio, chame como quiser, independente do lugar do Brasil. ã, e daí eu percebi uma coisa, duas. Uma é que é importante as pessoas saberem que tem uma pessoa patando ali que talvez ela precise de apoio em algum momento. Aquele negócio do no trânsito se fala, né? O maior cuida do menor. Na sociedade a mesma coisa. Então assim, uma pessoa tem uma vulnerabilidade, essa pessoa não enxerga, então assim, ó, dá uma olhadinha ali se ela não vai aí no buraco, pensar num cachorro que tá dormindo, pisando cocô de cachorro, já pisei embaixo. E assim, isso é um ponto bem importante de usar a bengala que tu conta com o acolhimento e com a empatia das pessoas, mas tem um lado negativo que as minhas amigas comentam muito. Chupana, fica todo mundo olhando aí no buraco. Aí já não é mais sobre mim, né? Não é sobre nós, é sobre quem tá nos olhando. Tu tá me olhando para tentar me ajudar, para ver se eu tô em algum momento de fragilidade. Tá me olhando porque tá me achando ela? Ou tá me olhando porque eu virei um experimento social. E esse eu já percebi que acontece bastante. E daí entra o ponto das bengalas. De fato, eu não ia me contentar com uma bengala branca padrãozinha, né? Eu coleciono bengalas hoje. Tenho dourada, eu tenho roxa, eu tenho preta com uma ponteira mais clarinha, porque é importante que a bengala seja vista pros outros, né? Imagina eu sei de noite com a bengala preta, não servi de nada. Tenho rosa assim, tem que combinar com modelito, né? Batom que eu já não tô usando. Então eu passei a me divertir com esse artifício e um dia conversando com a Penberger, quem não conhece ela, siga no LinkedIn, por favor. uma menina com deficiências múltiplas, ela além de ela tem questões auditivas de fala, enfim, ela usa uma prótese e às vezes tá de cadeira de rodas. A prótese dela é bombástica. A ela tem uma prótese que simula tatuagem, ela tem várias, ela em troca de prótese também. E tá tudo bem, gente. A gente pode se divertir também com a condição. Eu sei que hoje existem algumas bengalas mais tecnológicas que vibra um pouco da mão quando tu tá te aproximando de algum obstáculo, isso e aquilo. Nunca testei. Tem uma que simula com guia. Eu achei estranho, mas enfim. Nunca testei também. Eu sou mais padrãozinha, né? Eu uso bengalas da Umbotec, é uma fábrica canadense e daí eu tenho uns amigos meio rico que vão pr Estados Unidos, daí trazem para mim que eles até entregam no Brasil, mas o frete é $, a bengala é 17. Não acho que vale a pena, sabe, esse frete assim. Aí normalmente a gente faz um combo de ceguinho que quer renovar os bengala e traz uma pacoteira. As bengalas dele são extremamente duráveis, finas, leves. ã, tem ali um toda uma não é tecnologia de ser digital isso, aquilo não, mas eles têm umas ponteiras interessantes que não fazem tantos barulhos e nã e que não prendem e que não dão aquele cotoco no peito se tu bate em alguma coisa, só o cego sabe do que eu tô dizendo. Quase que é um uma esofagite que te bate assim de fora. É muito massa. Só no Brasil tu até a mas porque 500 conto, né? Então eu prefiro alguém traga de fora para mim. É, é muito bacana esse essa diversidade, né, que a gente vê inclusive até dentro dos das órtes, né, desse equipamentos que ajuda pessoas com deficiência, né? Eh, e aí é a mesma coisa do ócul, né? uma bengala nenhum acessório que a gente pode personalizar por que eu vou sempre estar usando óculos do mesmo jeito, se eu posso estar usando óculos vermelho, preto, branco e aí isso é é um um um produto que a gente vai usar e as pessoas vão olhar, né? É sobre você falar que esse experimento social, eu geralmente quando eu vejo pessoas com deficiência na rua que estão andando só, eu não eu nem eh olho para elas com esse olhar de pena que o pessoal tem, né? Eu olho mais para para entender como é que elas resolvem os pequenos problemas e também se ele precisar de ajuda, eu vou estar lá para ajudar. Eu moro numa cidade que ela é muito antiga, né? Olinda, tem quase o aqui em Pernambuco tem quase a idade do Brasil. E aí a gente tem muitos locais que são tumbados, inclusive o chão é tombado e aí você tem pedras que são irregulares. Então é péssimo para todo mundo, é péssimo para você que tá andando de salto, para procirante. É horrível. E aí eh é todo esse cenário, ele contribui, pelo menos, ao meu ver, para as pessoas olharem, né? Eu não sei eh como aquela pessoa de deficiência eh se sente sendo tão observada, mas aí eh pelo menos aqui quando eu vejo que na nas integrações de ônibus, quando eu eh via uma pessoa cega, por exemplo, pegando o ônibus, eh o pessoal fazia como fosse um reddoma para ninguém bater, ninguém sabe, porque a integração de ônibus é meio infernal. E aí e tinha esse cenário, né? A gente falou no começo sobre o capacitismo, né? que é um um negócio muito ruim pra pessoa com deficiência, ele aparece com pequenas falas, né, pequenas atitudes no dia a dia, né? Quais foram as situações mais marcantes que você preçou lidar eh por essas expressões capacitistas ou esses estereótipos, né? Como é que você costuma reagir com esse preconceito? Que agora vou começar de futuro e vou depois voltando ao passado, né? Eh, hoje eu trabalho no CCRED, que é uma empresa que cuida muito do do da saúde mental das pessoas também. Eu sei que tem times e times e isso e aquilo, mas eu hoje estou um time maravilhoso. E entre os, não só os designers, mas toda a galera de tecnologia, a gente tem um acordo múlto de escutou, como é que é? Ai, aqui tem um termo em inglês bonito, né? S, say something. Eh, antes era de uma forma muito preconceituosa, mas hoje em dia é, se tu ouviu, ouviu alguma coisa, não fique quieto. Isso é sobre tudo, tá? É sobre machismo, capacito, todas as letras fobia, sabe? É sobre tudo. Então, as agendas, as revenir são todas pelo Teins, né, gente? Pois graças a todos os deuses trabalhamos online. Minuto de silêncio por quem precisa ir para presencial. 108. Já fui essa pessoa 108. e escutou qualquer coisa, percebeu qualquer coisa. Quando uma mulher começou a falar, o queridão lá virou os oinhos, se alguém falou alguma coisa, outra pessoa fez um gesto estranho. Eh, eh, já virou até natural. A gente usa o artifício de levantar a mãozinha do Teams, né? o pedido de com licença eu preciso falar e falo. Isso hoje me ajuda muito a perceber ainda mais coisas que antes eu não notava tanto de algumas falas assim, até algumas palavras não tão não tão suais e e tem coisas que, por exemplo, vou usar um termo horroroso aqui, mancada. Em Rio Grande do Sul não se usa mais de falar mancada, né? Eu sei que a galera era de São Paulo usava mais. E daí esses dias até uma youtuber amiga minha queria muito usar um meme num vídeo dela, mas ela falou: "Não, não vou usar porque tem duas palavras capacitistas ali e uma outra pessoa do grupo". Tá, mas quais são, qual meme? É aquele antológico, xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente. É, a gente tem o capenga e o manca. É uma fala de uma jornalista, né? Isso. Isso. Na verdade não. Ela tava, ela tem até umas aspas. Ela tava lendo um trecho da carta aberta de Michel Temer, quando ele lá teve, enfim, entendedores entenderão. Então, foi uma frase de uma pessoa letrada que usa mesócres e seus textos. Basicamente um vampiro. Ele deve ter a idade do Brasil igual a linda. E os outros que em geral as pessoas não se dão conta que podem trazer sensibilidade para alguém. E daí isso já na outra sessão queer sabe que eu já falei pro professor gata, eu tô validando o conteúdo e tá ali, ã, digite, eu já vou não digite, é informe. Tem pessoas que não usam os dígitos para imputar dados. Olha, tem coisas bem ruins, né, que a gente vê era, eu já posso falar agora porque tirou no portal do Secred tinha seu dinheiro em boas mãos. Primeiro, tem mão ruim. Segundo, e se eu só tenho uma mão? E se eu não tenho nenhuma, eu não vou ficar sensibilizada de, pô, sabe? A gente tem que lembrar que às vezes dói no outro, né? E que é esse é essa é a definição do mimimi, né? O que não dói em mim, isso é mimimi. Então assim, vamos engolir o o que se acha que é mimimi. Vamos pensar nos outros um pouquinho. Falando de mim na adolescência, essa época que eu era bem questionadora e que eu tropeçava muito, eu te entendo, Wagner, porque eu também era gorda. Bem, eu sou bem bastantuda assim. muito bastante tudo e não tô falando, ai ela era gordinha, não. Eu eu precisei fazer tratamento porque tava afetando partes do meu corpo, o joelho não existe. Então eu escutei tanto de nossa, além de gorda é cega, sabe assim, nossa, a sorte dela que se ela cair, ela vai sair rolando, né? K k e não é porque eu ria, porque eu ia fazer o quê? Se eu chorasse ia ficar pior. Hoje eu já consigo, né? Voltando ao começo aqui da minha fala hoje eu já consigo me virar muito mais. E daí, voltando à pergunta anterior, como é que a gente vai se desinvisibilizar conseguindo? Se a gente não se mostra, né? Se eu não sair na rua de bengala, como é que as pessoas vão saber que tem pessoas que andam sozinhas na rua e que trabalham, que compram roupas diferentes em gatinhos de caveirinha, que se tatuam? Gente, eu sou toda tatuada, literalmente toda tatuada. Toda hora alguém me pergunta: "Mas tu sabe o que que tá tatuado em ti?" Sei. Como é que tu sabe? Porque foi o que eu pedi. Como é que eu sabe que tu tatuador fez o que tu pediu? Porque não é louco, não é profissional? As pessoas umas viagem muito estranha e é falta de empatir, falta de conhecer outras pessoas. Bora todo mundo abrir mais horizonte e pode até ficar olhando na rua, sabe? Wagner assim, de repente a hora que tu achar, não tô falando de ti, tá? falou das outras pessoas, né? Deixa eu ajudar o seguin atravessar a rua tradicional. Eu aproveito e conversa por que tu trabalha, sabe? Não, tenta descobrir a vida inteira da pessoa, vai ser cartomante da pessoa assim, mas tenta conversar um pouquinho entendendo pelo outro lado que são só pessoas no fundo. No fundo é todo mundo pessoa. É, eh, esse esse plano, esses comentários de Gord of FC, né, que hoje em dia eh, muita gente discrimina minira foi isso, né? E eu era muito agressivo. Então quando eu escutava não tem um termo aqui em Pernambuco a gente chama pé no bucho e mão na cara, né? Então sou de graça pé no bucho mão na cara porque não tinha muita tolerância mesmo, sabe? Hoje em dia, eu pergunto, por que você tá falando isso? Sabe? Eh, eu aprendi a as pessoas que me deixam constrangido por falas, entendeu de eh devolvo a pergunta eh perguntando por, né? Ela tá me deixando constrangida e aí o climão acontece, mas é ele que tem que lidar, não eu, né? E aí você falou sobre o site da Secred, né? Que o lance de digitar é melhor colocar informar e a gente pras tecnologi, né? E autonomia digital, né? É, a tecnologia eh assistiva, ela é uma parte essencial do dia a dia de uma pessoa com deficiência, né? E pelo que eu odeio estudando, você é uma pessoa que dominadora dos leitores de tela, né? Queria saber e quais leitores você usa hoje em dia, se você pode falar um pouquinho para quem não conhece, que é o leitor de tela, né? E eh existe alguma dificuldade que eh prejudica a navegação do seu do seu dia a dia e dificulta o seu trabalho? Lavão de novo por partes. Sim, eu domino um uma unidade de leitor de terra, que é o voice over, que é o que a gente usa nos iPhones, no Mac, no Apple Watch, né? Em todo esse universo tinha lá nos nos iPods, tem inclusive nos iPods. Todo for da Apple vai ter o voice over nome da voz. Agora explicando para quem não sabe, né? leitores de tela são sintetizadores de voz que respondem ao que tá programado, codado, desenvolvido no em qualquer plataforma digital. Enfim, usando um exemplo muito muito muito prático, a Alexa não deixa de ser um leitor de tela. É um sintetizador de voz que lê scripts pré-programados. Toda vez que tu diz: "Bom dia, Alexa, qu temperatura". Um leitor de tela, cuja voz feminina se chama Mariana. Fui descobrir semana passada, a masculina ainda não descobri. H, essa voz sintetizada fala para ti e tem alguns comandos padrão que a gente usa para comandar, né, desculpando essa redundância aí. Então eu sou realmente proficiente no voice over porque eu acho que é o mais cômodo, é o mais fácil, é o mais caro. Então assim, a Apple tem por premissa ser acessível porque eles tomaram processo em 2012, perderam muito dinheiro, não é porque eles são legais. ã, não andam derrapando, mas ainda assim o leitor de tela eu acho apenas maravilhoso. Fiz toda essa ressalva porque eu sou muito ruim de Android, né? o talkback então eu brigo, eu discuto, mas eu uso porque é uma para mim, além de ser uma ferramenta de vida, é o que eu uso para ter contato com o meio digital, é minha ferramenta de trabalho também, né? Eu para usar o computador eu preciso de um leitor de tela, por isso que eu tô de fone de ouvido, que se o meu leitor de tela que fala não no vale lá na gravação, celular e tudo mais eu uso com leitor de tela. Então, a gente tem o voice over no tudo que for Apple, a gente tem o TalkBack em tudo que for Android e a gente também tem um que chama Voice Civil, eu acho, e do da minha televisão Samsung Crystal, tem um os novos Kindle. Agora eles tentam de tela que chama essa voz, o nome dela é Você viu, ela é uma voz meio estranha, mas ela tá tá melhorando aos poucos, né? Então, para vocês verem, até o Kindle hoje em dia que é um existe para ler, né? Eu consigo ler livros usando um leitor de tela que salva minha vida ler livros. ã, lexa, nossa de todo dia, leitor de tela, os carros que falam com as pessoas e os elevadores, isso é tudo leitor de tela, entendeu? Só que quando as pessoas vão trazendo mais uso para todo mundo, né? Isso que é legal da tecnologia. O uso para uma coisa específica pode ser ampliado para o uso da da coletividade. É muito massa. Eu já não sei mais se respond perguntou. Respond respondeu. É minha relação com leitor de tela é bem tempestuosa, tá? A primeira vez que eu, minha mãe ativou o leitor de tela, ela mudou ativou o leitor de tela e mudou o idioma para árabe. E aí foi um causo assim, eu disse: "Mãe, não tem como lhe ajudar, formatei o telefone dela e aí seguiu, sabe?" E eu disse: "Por favor, não mexa mais em nada não". E num computador, eh, eu prefiro que o leitor de tela escreva, porque me dá uma angústia aquela mulher falando rápido e eu passo em mouse, ela sai falando um monte de coisa. Eu disse: "Meu Deus do céu, vamos reduzir aqui porque é muita informação. Eu entendo que é é questão de costume, né? Mas aí eu prefiro que seja textual, fica mais tranquilo para mim, sabe? Eu navego de maneira controlada. Aí às vezes eu fecho, eh, desligo a tela do computador e vou navegando com tab e tal e aí peço para ela falar mais lentamente para poder processar a informação. E aí eh o leitor de tela, ele dá muita autonomia, né, pra vida da pessoa, né, com deficiência. E a autonomia ela muda tudo na vida e de pessoas com deficiência

Wagner Beethoven:. Eu queria saber quais são as tecnologias ou recursos que transformaram assim que foram divisores de água nesse sentido para você. Ele dá autonomia, mas depende do outro lado, né? Se tiver bem codado, desculpa o termo técnico aí, se a galera do desenvolvimento lá fizer esse trabalho direitinho, eu vou ter total autonomia nos aplicativos, sites e whatever. Hã, vocês não estavam assistindo os meninos aqui. Sim, eu tive uma dificuldade extrema para ativar o microfone no Discord. Eu precisei chamar o olho amigo com meu filho, porque o não botou. Então assim, tem autonomia, mas até a página cinco, mais ou menos, né? Eu sigo dependendo de seres humanos fazerem bem

Ana Gouveia: o seu trabalho, que é um código limpo, que depende de uma pesquisa ter sido feita e daí tem toda uma uma cadeia de produção, né, de de um site, de um aplicativo, enfim. Na minha vida, eu acho que quando eu aceitei que o leitor de tela poderia me ajudar, eu tinha vergonha de ativar. Depois percebi, gente, eu posso fazer de fone de ouvido, né? Ninguém precisa saber usa o leitor de tela. E o que mais me deu, que me fez lembrar quem eu era realmente foi usar os os aplicativos que leem livros, né? Hoje já tem um usando voz de a parece que tem realmente alguém lendo um audiobook para ti. Mas isso me deu autonomia de ser

Wagner Beethoven: realmente quem eu queria ser, não quem estavam me proporcionando tal. O que eu mais amo fazer na vida é ler. Foi o que mais me deixou mal quando me avisando de um dia pro outro caiu o suficiente para eu não ler mais o papel. Fiquei muito

Ana Gouveia: mal. Até que daí eu fui pesquisando, amigos ajudando e tal. Primeiro eu descobri um que convertia realmente o texto para MP3 e daí aquilo tinha que jogar pro celular. Isso era 2009, 2010 mais ou menos. E eu lembro que quando eu consegui voltar a ler, eu li o Tempo Vento e eu morava na Bahia e tem tudo aquilo falando do Rio Grande do Sul. Ficava, gente, que saudade. Aí eu fui reler, tô relendo com amigas. Realmente a primeira trilogia é maravilhosa, as outras duas não precisava. Pô, ver isso tá vendo bem? Enfim, eh, eu me sinto igual a todo mundo. E hoje eu já não consigo ler em inglês, né, em espanhol, enfim. E eu sei que vai ter gente, tu não lê a tua escuta. Sim. Aham. Eu leio através da escuta. Algum problema? Não, obrigada. ã, eu me sinto igual a todo mundo. Isso para mim é ter autonomia, sabe? independe de eu enxergar ou não, eu conseguir ler. E hoje tem uma profissão graças a essa minha busca por acessibilidade para mim, né? É, ela é importante esse essa inclusão porque a gente consegue trazer muita informação, vocês conseguem, na verdade não vocês, né? Mas assim, todas as pessoas elas usando esses tipo a de leitores, elas conseguem ter acesso a informações a qualquer momento. Por exemplo, em ônibus, quando você não tiver tiver em pé, por exemplo, no ônibus, você pode estar ouvindo um audob, pode estar ouvindo uma palestra ou seja lá que for que era em texto, sabe? Então, existe outros cenários que as pessoas não ainda não se atentaram que a acessibilidade ela transcende o universo da pessoa com deficiência, né? para pessoas não letradas, né? Eu tenho uma amiga que a mãe dela não foi alfabetizada e graças ao leitor de tela, a mãe dela hoje consegue ler as mensagens no WhatsApp e devolver com figurinha, entendeu? Devolver com áudio. Então isso pra pessoa ai gente é que ajuda tanto a gente, sabe? você começar a enumerar aqui, mas em resumo é bom para todo mundo. Pessoas estrangeiras que estão aprendendo idioma, que daí o falado é mais fácil de entender do que o que tá escrito, sabe? É muita gente que ajuda. É realmente uma coisa que transcendeu

Wagner Beethoven: mesmo. É. E aí, Ana, você falou sobre sua carreira. Eu queria puxar um pouquinho quando foi sua transição, né? Ela veio depois de muitos anos de processo e de trabalho, né? Você sempre relata isso, o que atraiu eh pro mundo de designer e e o que tornou eh o que fez você ter essa coragem para mudar de carreira, né? Coragem, menina. Eu também fui entrar na bunda. Eu fui demitida durante a pandemia ali, no primeiro dia de féri um dia antes de eu sair de férias, o supervisor ligou, tal, o gerente na linha falou: "Ué tro",

Ana Gouveia: ó. avisar que eu tinha sido demitida. Sim, desespero total. Literalmente o que me deu coragem foi o Não tem o que fazer. Eu já vinha pesquisando sobre profissões do futuro. Na época o meu filho tava com, pera aí, 10 9 para 10 anos. E eu vinha, né, olhando a cena, por que que esse moleque vai querer trabalhar para, né, de vez em quando conversar com ele e tals. E dois amigos meus, primeiro foi uma Gur que toda a comunidade conhece, né, Alexandre Santos Costa comentou assim: "Olha, eu tenho ouvido muito falar de um X design. Eu acho que tu tem uma veia para isso, porque isso, isso e aquilo". E daí eu comentei com um amigaço meu que é desenvolvedor também, ele falou: "Nossa, tem total perfil para isso". E daí eu comecei a pesquisar uns cursos caríssimos, né? Caríssimos, caríssimos. Eu não tinha nem mais computador. Meu computador tinha virado brinquedo pro menino porque tinha o computador da empresa. O celular hoje em dia faz tudo, né? Então não tinha mais computador. Aí como é que eu ia estudar? Mas enfim, demitida, ou seja, e não tinha tempo, né? Trabalhasse o tempo todo, depois disso, cuidar de filho e tral lá. Demitida, passei até emprego e tempo. Falei: "Gente, eu vou investir em mim. Eu já tava com 44 anos. Se eu não mudar de emprego agora, que eu ainda enxergo um pouco, eu não vai ser muito mais difícil depois. Não é que eu não ia conseguir, mas ia ser muito mais difícil. E daí eu falei: "Quer saber? Vou dar as cara um computador, né, notebookzinho lá e tal. E pesquisei um pouco, pedi muita indicação, todo mundo mecou um curso, fui comprei o curso, mas R$ 3.000 o curso e o computador tipo R$ 600". Eu falei: "Não, agora vai, gente". investi tudo em daí eu literalmente passava o dia estudando, passava o dia estudando X e pesquisa e tudo que vocês imaginarem do universo de X. Fui apresentar meu cave, fiz curso de wax writing, que é escrita para produto, que é a coisa que eu mais adoro, junta a leitura, né, com a comunicação que eu mais gosto de fazer, porque eu me lembrei da tal da primeira aula e descreveram as réguas da métrica, isso, esse e aquilo. foi descrito, mas eu não é que eu não prestei atenção, já vou entrar nesse mérito aí, mas eu falei: "Não, depois eu estudo com o material, deixa eu só prestar atenção aqui, tal". E daí a aula seguiu, foi falando de várias outras coisas, como é que se modula o tom e as variáveis. Ainda me dei conta que essa parte de das réguas, esse aquilo eu não tinha estudado porque voltando no documento, eu abri esse doco, eu ainda tenho esse documento, ele não tinha uma descrição da imagem, é de uma tela muito bem feita, muito bonita, com um contraste até interessante, não suficiente para mim, né? Mas não tinha descrição da imagem, então eu passei batido por ela e daí início eu meio que matei meu case, né, a minha parte de texto ali do do case, porque eu não tinha o graficamente não tava mostrando a régua que é uma premissa de writing hoje. Eu sei que é uma coisa tipo óbvia, né? Fiquei muito mal e daí a minha mente é muito lógica, né? Entrando já no, eu sou um combo de sid, tá gente? paraa alegria do RH. Assim, eu tô empilhando sits hoje. Tem que sou considerada uma pessoa com deficiência múltipla, que além da cegueira, eu sou autista com livro de suporte uno. E daí uma coisa que não tem sidotada também. Minha cabeça tá sempre a milhão. Eu tenho raciocínio muito lógico. Eu sou tida como fria, mas na verdade as peças para menstruação, né? E daí eu comecei, tá, por que que essa imagem não tinha descrição que não pensavam que precisava ou não sabiam fazer? E daí é uma é uma técnica de design também de de experiência do usuário, né? Tu fazer cinco porquês, vai subindo por tá. Se não sabiam que precisava, será que não imaginário que uma pessoa cega podia querer fazer isso? E se não sabiam fazer, por que que não sabia fazer? Aí isso me interessou mais que eu saí do subjetivo e fui pro objetivo. Não sabam fazer como é que faz. Aí eu fui pesquisar como é que fazia e assim foi indo e daí eu comecei a ser anchata do rolê, sabe? Ah, esse botão que eu não consigo usar. Chamava um menino lá do curso, não vou acetar nomes aqui também porque e esse botão que eu não consigo usar. Nossa, eu não sabia. Obrigado por avisado. Falei, gente, as pessoas estão abertas a melhor lá. Que louco. E sabe, isso foi se expandindo. Comecei sempre conversando muito com a galera da comunidade. Foi quem me pegou pela mãozinha nessa época. Senão não sei o que teria sido, porque quando eu achei que eu tinha jogado tudo fora, gente, imagina 44 para 45 anos um filho adolescente para criar se separando do pai dele e pregada, né? começou a dar um desespero louco e daí aterria fazer porque além de tudo era tudo no Figma. Deixa eu contar um negócio para vocês. O Figma não é acessível, tá? Depois a gente fala mais disso. Então segura ele, segura que vai ter um plot twist depois dessa história. E daí nisso eu comecei a ver que tava todo mundo da comunidade dizendo: "Anã, eu não sabia que isso existia. Me fala mais disso. Como é que seria melhor para ti?" Falei: "Não, gente, não é só para mim, é para mim e para todos os mins, né? todo mundo que vem junto aí. E nisso eu comecei a conversar com muita gente. Um amigaço meu, Víor Davi, chamou para fazer uma live no canal dele, que é daade, gente, tem um nome bonitinho, jovens, o X e o I. Dessa live me chamaram para uma outra live das APS, que eu já levei uns videozinhos para mostrar os programa basicão assim de LinkedIn, de instituições financeiras e tal. e uma pessoa que trabalhava na instituição financeira que eu estava mostrando o vídeo, estava assistindo a live e daí a pessoa entrou em desespero, chamou o time, gente, a gente não é acessível, as pessoas sérias não conseguem ajudar a gente tal. Isso virou um bololô e sabe, três meses depois eu tava trabalhando na sção financeira. [Música] Não foi simples assim, tá gente? Foi a hora certa, lugar certo, falar as coisas certas e acima de tudo tá preparada do jeito certo, estudar muito, porque tem muita coisa para estudar, é muita diretriz, é muito regramento, é muita peculiaridade de leitor de tela. Isso que o Wagner falou, diminui a velocidade, ajusta a pontuação, isso tem nome técnico, verbosidade, palavra chata. Então assim, é muito estudo mesmo, é muita dedicação e e às vezes tem um dom para coisa também, ter facilidade de fazer as coisas ajudam tanto, né? É. E aí, Ana, você trouxe um alguns cenários aí sobre a educação, né? E aí quando você tava buscando o curso New X, você encontrou uma realidade contraditória, né, que experiência do usuário você não tava tendo uma boa experiência, né, todos eram poucos acessíveis. E aí se eu tô, você tá levando em consideração um ponto, né, que é o X Writer, fico pensando nos outros cenários e de outras áreas dentro do design, como podem ser excludentes, né? E aí, quais foram o maior desafio que você enfrentou além desse pequeno pequeno deslize do instrutor? que fez repensar sobre a inclusão no ensino, né? É, eu acho que o grande tombo foi o Figma não ser acessível, porque tu toda a comunidade de X usa o bendito do Figma. Antigamente até tinha o Adobe alguma coisa XT, sei lá. Mas daí rolou um papo que Adobia comprar o Figma e todo mundo meou pro Figma e todo mundo usa essa bela ferramenta que sim, é uma ferramenta maravilhosa, mas não funciona com leitor de tela. E eu acho que aqui cabe o plot twist. Já tive duas reuniões com pessoas do Figma pelo sprad, né? E já escutei das duas pessoas. A gente sabe que não funciona com leitor de tela. uma demanda que já vem há anos, a comunidade pedindo, a gente sabe que precisa focar nisso e vou ver te digo, literalmente sempre rola um vite digo. Então assim, seguindo contando com as pessoas, não é mesmo? Aí de mais desafios, todo mundo pergunta dados. Quantas pessoas cegas no Brasil? Gente, não sei, não me vento em papo de senso. Fake total assim essa parte de deficiência. Não estou falando de política que h 3os que eu já respondi, então aqui já foram vários presidentes, presidentas e presodontes. Eh, nunca cai o questionário completo para mim. Sempre o resumido. No resumido não se pergunta nada de que não seja padrão. Não tô usando palavra padrão do sentido pejorativo aqui. Então, em tese, eu nunca fui contada como pessoa cega pro centro. E eu lembro quando eu morava na Bahia, a gente era uma pequena, sei lá, três quadras. Tinha, eu tinha um moço que ele tinha uma deficiência no pé e tinha um outro moço cadeirante. Na casa dessas três pessoas, o questionário foi o resumido. Então, naquela rua não tinha ninguém com deficiência. Ele vai pras outras ruas e assim tu vai expandido. Então assim, o dado de senso não é irrelevante. Ele é um direcionador, é, ele ajuda a botar uma pressão. Sim, claro que sim. E daí, como é que eu vou saber o dado de o uso de pessoas com deficiência do teu produto? Se um a LGPD não me permite perguntar. Dois, eu não deveria perguntar, eu deveria fazer o código certo. Três, eu não sou obrigada a responder caso me pergunte. E quatro, teu Google Analytics tá codadinho bonitinho ali para seguir eh conseguir esquecer a palavra certa para falar isso. O teu Google Analytics tá pronto para mapear esse tipo de uso? Se tem o leitor de tela ativado, se tem o dark mode ativado, se o zoom tá ativado, se aumentou o tamanho de fonte. Não, ninga. Difícil achar documentação. Taca mesmo. Quem tem interesse, vai chegar um gerentão e vai dizer: "Não, isso, eu escutei isso de uma pessoa que trabalhava em uma grande instituição financeira que não é osc e escutei isso de uma pessoa dizendo: "Tentei levar acessibilidade pro meu time. Na hora que eu comecei a falar, o gerente disse: "Não, isso não dá dinheiro, cego não dá dinheiro, pode, não precisa nem terminar de falar". E daí como é que eu vou discutir com o gerente? Não era eu, tá gente? Deixando muito claro que se fosse comigo, sei lá o que eu ia fazer. Mas eh a gente tem esses percalços também de que pessoas são números, né? Eu só queria lembrar quem concorda com isso aqui. Pessoas com deficiência também declaram o imposto de renda e recebe. Eu eu recebi um ressimento bem bom esse ano. Esse negócio de ter filho, gente, na hora do imposto de renda é bacana, viu? Mas na hora de pagar o colégio não é. Eu recomendo. É, eu admito que eu nunca respondiço. Anos, nunca respondi. Eh, e aí, Ana, você trouxe um cenário sobre a comunidade, né? Você sempre fala com muito carinho, eh, de dessa comunidade que lá apoiou, né? eh, como esses grupos, essas pessoas te ajudaram a se fortalecer como profissional e como é que você se sente parte eh dessa comunidade no universo do design. É uma comunidade fortíssima e internacional no mundo todo, literalmente, chamada Ladies de Wax, eu acho o nome ótimo, mas são garotas que trabalham com o X, né? Não tem muito como traduzir isso. E é uma comunidade super atuante no mundo. No Brasil tem capítulos, né, depender de cidades, grandes regiões em filmes. É ali no LinkedIn das meninas e descobrir onde tá o capítulo mais próximo e tal. Esses grupos são muito atuantes. Eu já comentei dos jovens, o X e o I. E tem também uma comunidade que agora tá tomando força muito massa, que é da galera que trabalha com acessibilidade. A gente até tem um grupo menorzinho, mais restrito ali de pessoas cegas que trabalham com acessib, a gente também vai nichando as coisas, né? Porque pensando bem, alguma uma profissão que não existia, vocês lembram que eu falei que eu tava pesquisando profissões novas, pensando no meu filho, acabou que eu caí em uma que nem tem nome. Cada empresa tem um nome. Eu no Secret sou product designer. No PicPay eu era na lista de acessibilidade que no Itaú nome que se usa. Enfim, é uma no Google, se eu não me engano, são keyways, né? uma da qualidade ali, mas cada empresa eu ten um nome. Mas na verdade meu trabalho é ser uma designer de produto que tem esse olhar para inclusão, mas esse olhar para todo mundo porque não é sobre deficiência, é sobre todo mundo mesmo, né? Vamos, vamos. Eu lembro muito bem desse hoje eu lembro com muito carinho. No dia foi desesperador quando me caiu essa ficha que eu não ia conseguir, que eu entrei na época e eu na época eu nem era ainda voluntária do Leiros de Toex aqui de Porto Alegre. Eu falei Gurias, deu ruim. E mandei um áudio que é uma péssima prática, porque gente, não mandem áudio em grupo, a não ser que vocês perguntem se alguém se sente mal e se aquilo. Pode ter pessoas surdas no grupo este grupo, inclusive tem uma pessoa surda que hoje é minha colega e minha amiga, mas é que eu tava muito mal assim, eu não ia conseguir escrever e pessoal me pegou pela mão literalmente. Amiga, calma. Vamos, vamos primeiro desabafo, mas depois nós vamos pensar um projeto aí. Quer que eu te ligue? Quer conversar, quer vir aqui? quer que eu fala isso, aquilo. Só que era pandemia, né, gente? Eu tenho detalho. ã, e daí que começou esse grande, foi um movimento, né, de pessoas que me conheciam e a gente segue ligado até hoje, assim, porque a comunidade de design é muito unida. Eu sei que a comunidade de desenvolvedores também e essas comunidades de tecnologia em geral são muito unidas, né? Gente que tá ali meio que para chupinzar o que os outros estão pensando e falando que é mais fácil, tá? também, mas tá tudo bem, sabe? Tá tudo bem. Até quem atrapalha às vezes ajuda, tá tudo bem. Mas é isso, eu tenho uma gratidão gigantesca, principalmente pelo pelas leiras da TEX. Depois eu virei voluntária, depois eu virei liderança. Foi muito massa conseguir retribuir pra comunidade, né? Isso é sempre transitório, né? A gente vai alternando as meninas. Enfim, depois hoje não sou mais nem voluntária, mas eu só sou frequentadora lidando meus pitaco de acessibilidade, porque as meninas precisam. é oito anos. É, e pelo menos para mim, eu fico muito feliz em saber que tem é comunidades de mulheres, porque o universo TI é majormente formado por homens, né? Na minha formação eu só tenho eh passei 3 anos na faculdade, só tive duas meninas, nenhuma das duas conseguiu concluir o curso. Então é meio caótico você tá num cenário onde só tem pessoas eh só tem homens e aí tem recorte de classe de de raça ainda, né? que pior ainda, né? E sempre eh sempre teve a comunidade de design, eu acho que é um pouco mais aberta, sabe, de orientação sexual, de cor, de sabe, até de deficiência, enfim, mas é que é um universo novo. E daí falando muito de pessoas cegas, tem isso, sabe? Eh, tem que querer muito e tem que querer sempre. A ferramenta principal não é acessível. E daí se tu é desenvolvedor, eu tenho várias amigas desenvolvedores que são cegas, que para mim era a única alternativa se eu não virasse designer era virada dela, né? Porque podar, eu sei que dá para podar sendo cego, meus amigos, enfim, os desenvolvedores recebem o Figma. Ai, você deve cega, vai fazer quê? Esperar que alguém vai jogar no copilot para ele descrever. Sim, hoje dá para fazer isso. Aata aí para nos salvar mesmo. Mas era bem desafiador, né? E daí a comunidade é muito massa que à medida que a gente vai ferve fogo, às vezes se mostrando profissionalmente, as pessoas vão entendendo que eita pera do jeito que eu fiz, talvez numa atenda. E o fato da gente ser muito atuante na comunidade, a gente, eu digo porque são muitas, não são mulheres, tá? Mas eu tô falando um pouco mais de mulheres aqui, até porque a gente tem que aparecer o Wagner. É, se rolê, né, Wagner? Hã, começou a rolar muito forte isso de não, eu vou ajudar a Ana, daí ajudando a Ana ajuda vários anos, aí vou ajudar. Daí ia começar a falar o nome de watch amiga aqui. Mas é isso, sabe? Tu mesmo trazendo pro pessoal, tu acaba ajudando outras pessoas também e isso vai escalando, né? Acaba virando um outro movimento que a gente já não vai ter enfim. E sobre o Ladies TWX começou com duas meninas da Inglaterra, que eram as duas únicas designers de uma empresa e elas não às vezes não conseguiam se falar e dentro homens não ajudavam muito. E foi um dia assim, ah, mana, vamos tomar um café, conversar sobre o trabalho, porque aqui na empresa a gente não consegue e daí elas começaram a fazer isso, acho que mensalmente, 15, enfim. E daqui a pouco, ah, tem uma outra menina que também trabalha com X, vamos chamar ela. E quando viram, o mundo todo tava querendo participar desse recreio aí. E é importante que a gente traz pessoas diversas, né, por esse papel do protagonismo. As outras pessoas que não se imaginam no local, elas também eh olham esse espelho e olham aonde elas conseguem chegar, né, também, né? E aí ou não eh você atuou em grandes empresas, como você falou aí, ajudando a implementar acessibilidade dos processos dentro dos times, né? Quais foram os aprendizados mais importantes dessa vivência e o que você acredita que fez a diferença dentro desses ambientes? Eu acho que essa resposta tá na tua fala, na primeira pergunta, eu acho que a leveza. Tema é pesado porque tu tá tratando da vida das pessoas. Hã, as pessoas em geral se sentem muito envergonhadas de não conhecer. O que eu mais escuto? Ai, Ana, me desculpa, eu eu não sei nada. Ai, eu vou falar bobagem, gente. Tá tudo bem. Não tem pergunta boba. Não precisa ter vergonha, porque, ó, não ensina no colégio, em geral, na família não tem pessoas com deficiência. Aí tu vai pra faculdade, não tem. No caso do Vider mal tinha menina, vocês imaginam o PCD. É isso. Às vezes a gente tem que escolher tanto do que sobra no caso dele, né? A parte arquitetônica, no meu caso, eu ia escolher ser desenvolvedora porque era o que dava para vender, né? Eu enveredei pro lado do design porque eu sou temosa, porque eu sou metida, né? me enfiando ali. E o fato de eu saber bastante da parte de diretriz e compliance, de acessibilidade, eu consigo trazer um argumento a mais no debate de design na hora de defender um contraste melhor em tamanho de fonte, o termo, né, de não usar digite ou veja coisas assim, a gente consegue ir agregando assim, é um tanto quanto desafiador, mas a gente consegue

Wagner Beethoven: agregando. Existe alguns pontos aí que você falou que eu queria comentar também que é essa essa necessidade de design eles gostarem tanto de um produto a ferro e fogo, sabe? Fico pensando se um dia o Figma acabar, o que é que vai ser da comunidade, sabe? O que é que vai ser dos profissionais que dedicaram tanto tempo? Eu fico pensando, será o pessoal quer fazer documentação letra do Figma? Porque não faz documento de over? É tão mais fácil de editar, tão mais fácil de escrever. O Figma, como é que que adianta escrever uma documentação no Figma esta porcaria não é rastreável? Tu não consegue pesquisar por um gente. Toda empresa que usa Figma também usa, em geral ali usa o analógico que eu esqueci o nome onde todo mundo escreve documentação, chama de wik. Como é que é? Confesa. Us o confiar é não. O gira também. Gente, o gira é ótimo para o gira é acessível, tá? Acabei aqui a ressalva. Tem o confes que é super acessível. Documento de Word, documento de Google, documentos, planilhas. Planilhas são ótimas para documentar as coisas. Por que esse povo faz tabela no FMA? É chato, é ruim, tu não consegue usar depois. Para quê? Ah, porque já tava aberto. Ah, meu caderno aqui também tá aberto, mas se escrever no celular já mando direto no WhatsApp, sabe? Tem a ferramenta certa para fazer as coisas. Chili fent o sigma é o risque rabisque de antigamente. Ele é um papel em branco. Não é para esquer documentação. Documentação é ferramenta de documentação. Sim, óbvio. Precisa ser dito, né? Figma é uma ferramenta maravilhosa para fazer layout de tela, isso e aquilo, mas pr tô com medo. Agilista quer usar Figma. PowerPoint, pelo amor de Deus, para fazer uma apresentação. Não preciso. A licença do Figma custa 19. É caro, né? É caro. Eu tenho do status também, né? E aí, olha, a gente traz um cenário que eu acho que quem escutou até aqui já entendeu que a sen acessibilidade vai muito além de código, né? Eu acho que vai esbarra na atitude das pessoas, né? E aí é um das um desses desses cenários que a gente tem construção de de produtos digitais a do código é o conteúdo, né, que ele é a parte fundamental. A gente só usa um produto porque ele vai dizer alguma coisa para nós. Se fosse uma tela em branco com um texto em preto, a gente ia consumir do mesmo jeito, tá? Então o conteúdo é mais relevante do que a interface. a gente consome esse conteúdo. Mas eu falei e d como é que você enxerga essa relação entre texto, interface e tecnologia assistiva dentro de um produto realmente inclusivo?

Ana Gouveia: Escrever o texto é tudo, né? Isto literalmente é tudo, como tu falou, livro, livro é preto no branco, literalmente todo mundo lê. Isso queria lembrar de o antigo MS. Eu comecei a usar computador, era só ms do época. Era ali era conteúdo. É óbvio que é mais gostoso pro ouro quando tem uma imagem, quando as coisas fazem sentido. Lógico que é, mas se num botão de pagar tiver lá qualquer outra palavra, tu não vai saber para que que é aquele botão. Da mesma forma que para uma pessoa cega, por mais que o botão esteja visivelmente escreito pagar, se lá no código não tiver bem feito, eu vou escutar o botão ou eu não vou escutar nada. Então assim, no ponto da acessibilidade, sempre o código, a gente parte do pressuposto que o código tá certo, tá? Para falar de conteúdo, que escrever difícil, mas também não vamos emborrecer as pessoas, né? Galera que traz um monte de testão, não precisa, gente. Vamos ser mais sustento também. Não precisa néis um modal. Eh, eu acho que todas as pessoas eh que que já precisaram acessar algum texto jurídico já enfrentaram a falta de acessibilidade, né? Os termos são complexos demais. Aí eh eu pego alguns textos jurídicos para ler dis: "Meu Deus do céu, será que eu sou alfabetizado em português? Porque eu não consegui entender um parágrafo dessa criatura escreveu, sabe? Um outro exemplo, vou te dar um exemplo maravilhoso da colega minhaider também comprando a casa dela. Ela é o marido fazendo o processo ali da FGTS e tinha que preencher lá um formulário. Ela marido, os dois têm faculdade, essa minha colega tem pós e isso e aquilo, tá? Pessoas letradas e bem letradas. Não entenderam nada e era um formulário para tu poder dar o FGTS de entrada na compra de um apartamento. Esses já tentaram ler um contrato de compra e venda de de de imóvel? Acabei de passar por isso. Eu não consegui ler o contrato porque ele não era acessível. Não dá para entender nada. Ou então tem 47 páginas só para dizer que o teu nome é o teu nome, o teu CPF é o teu CPF. Gente, isso aí é para afastar as pessoas com menos isso aí capacidade é um termo muito ruim, mas as pessoas que têm menos alcance, sabe? As pessoas com menos letramento, as pessoas que são mais envergonhadas de às vezes perguntar: "Ol, não entendi o que isso aqui quer dizer. Hoje já tô numa liguei pra gerente do bando, falei: "Laura, entendi nada, contrato tá certo". Porque sim. Depois quando eu consegui receber uma versão acessível eu joguei no aplicativo que ele para mim era 1 hora 48 de leitura. Gente, eu lei um livro 1 hora 48. Eu só liguei para o gerente. Tá certo esse contrato tudo validou? Não, eu não invidei. Tá tudo certo. Pode assinar. Não precis contrato não precisa ter 200 páginas. A seleção começa logo na quem consegue ler, né? E aí o Nubank tem um negócio muito bacana porque os termos de de uso é aquela complexidade, né? que aí eu não sei se é padrão de mercado, que tem que ter aqueles termos muito bem detalhados, mas aí quem vai usar tá pouco se lixando e as pessoas querem usar. E aí recentemente no B que mudou alguma coisa e eu recebi e-mail, ó, mudou tal coisa. Aqui tá o resumo das mudanças, três parágrafos. Eh, eh, termo completo, 56 páginas. Eu disse que eu não vou ler 56 páginas, eu vou ler ficar três parágrafos, que é o suficiente para saber, né? E aí, Ana, a gente eh às vezes você falou aqui nessa conversa que o básico ainda falta, né? Então, eh, o Tony sem rótulo a gente enfrentou antes de de começar a gravação, problemas com Discord, né? Imagens sem descrição, você já sofreu por isso, e textos muito difíceis, né? Então, a gente relatou aqui essa pergunta. Na sua visão, quais são os erros mais comuns e evitáveis quando se fala em acessibilidade na comunicação digital? É, a gente às vezes fica, eu trabalho em instituição financeira, já vende uma, hoje estou em outra. A gente tem muitos regulatórios do Banco Central. Tudo que vocês vem no Pix de vocês, começaram a olhar, perguntar pro coleguinha que tem Pix em outro banco, tem coisas todas iguais. E Doneida adora falar isso. Brota ali, ah, agora tem o Pix, sei lá, Pix é automático, Pix, não sei o quê. É porque o Bassin mandou fazer até aquele dia, né? Não, tem esses regulatórios que são chatos, umas palavras estranhas, porque principalmente no lado ali de seguro também tem os regulatórios lá da Susep e tals. Então a gente já parte de receber um stop down que já vem torto, né? Já o troço já vem não pensando em todo mundo, exatamente de quem deveria vir, né? de quem nos governam, mas quem votou neles fomos nós. Então assim, é muito é muito difícil a gente de baixo para cima conseguir algumas alterações, mas o jeito mais fácil de resolver perguntar, sabe? Vira pro lado e pergunta pra tua avó se ela entendeu aquele texto. Então pergunta pro porteiro, pergunta pra moça da cantina e daí pergunta pro teu professor porque assim não vamos emborrecer as pessoas, né? Pergunta para todo mundo. Aquele texto faz sentido. Ah, tu entendeu que se eu apertar nesse botão e nesse botão eu vou comprar esse produto? Nossa, não. Já uma vez eu não comprei uma televisão nas Cas Bahia porque eu não achei o botão de comprar. Daí muitos anos depois eu fui descobrir que na verdade ele tinha lá um um iconezinho e a palavra era outro. Gente, comprar é comprar. Ô Ana, já aconteceu comigo de eu ser convidado para um casamento. Eu entrei numa grande varício daqui do estado online e aí esses essas compras de casamento a gente compra pro casal trocar depois, né, por alguma coisa que ele quer, né? E aí eu não consegui comprar online porque o botão só acontecia quando eu passava um mouse, só aparecia quando eu passava um mouse no produto. E estranhamente eu não passei mouse em produto em nenhum. Eu parei meu almoço, fui lá, disse: "Ahinguém, como é que eu faço para comprar no site de vocês?" Falei assim: "Não, você me explicou, mostrou na tela um negócio super simples. Eu disse: "Mas eu não passei o mouse". Ela ficou com a cara de tipo, como assim você não passou o mouse? Eu disse: "Minha amiga, faz parte, né? Entrei e saí, né?" Um negócio para essa menina e para quem podou esse site, pro designer que pensou que ia ser lindo, tal. Tem gente que não usa mouse, tá? Gente que navega só com teclado, tem gente que navega um literalmente o infravermelho do olho da pessoa, sabe? Tem gente, a Liliane Cláudia, designer conhecidíssima, ela tem um roller ball que ela usa no queixo porque ela é uma pessoa tetraplégica. Sim, ela usa sua mouse, mas vai que o acionamento desse botão é só ver a teclado, mas ela vai funcionar. Sim, o jeito mais fácil da vida, e eu falo isso para todo lugar que eu vou, é assim, duas colunas, tá? Pensa, pode ser um Excel, pode ser um caderno ou um listão. Tu precisa de duas colunas só. O que que tem na tela do meu produto e na linha ao lado e quem eu posso estar excluindo. Não é sobre inclusão, é sobre parar de excluir. Como assim? Ah, eu tenho um botão de compra que só aparece quando a pessoa passa o mouse. Ah, como é que isso vai funcionar no mobile para começar, né? Se eu tô no site, como é que você vai funcionar no no site do celular? Como é que isso vai funcionar? Não tem mouse, tá? Se eu tô Ah, não, só abre no computador. Tudo bem. E quem não usa mounte. E quem e esse e esse ícone tá grande suficiente paraa pessoa ver? Porque eu quando tinha baixa visão, eu já tinha dificuldade para ver botão de mouse. E vai e nisso vai aumentando os teus questionamentos. Será que todo mundo usa mouse? Dá para se perguntar assim também, sabe? Se tu tem dúvida, é o famoso, né? É um é um framework brasileiro, né? Matrícia SD, certeza, suposições e dúvidas. Muito famoso no design. Tem certeza que todo mundo usa mouse? É um Google. Hoje tem o Google lá do técnico que eu descobri minha retinose não tinha. Então tem pergunta para qualquer IA. Todas as pessoas usam mouse. Quem não usa mouse quando usa o computador? Hoje tá fácil, gente. Não tô dizendo que está fácil fazer o design, que tá fácil pesquisar, que tá tá fácil descobrir se tem problema nas coisas. E na dúvida, contrate profissionais diversos. Nada como um time diverso para trazer mais apontamentos enquanto o produto está sendo projetado, que fica muito mais barato corrigindo começo do que correr atrás prejuízo no final, né? Ô, não, existe um termo que eu aprendi quando era estudante, é, no terceiro ano, que hoje é ainda terceiro ano média, né? Mudou só fundamental, né? É que eu aprendi que numa frase quando tem sempre, nunca, sempre tá falso, sempre tá errado. Então nunca é 100%, sabe? Sempre a gente vai tá vai ter alguém que vai tá usando. Por exemplo, no meu cenário aconteceu de da menina quem me atendeu, na cabeça dela todo mundo usa o mouse, sabe? Eu sou profissional do eu trabalho com o mouse, mas por acaso eu passei o mouse na na interface, tá? Então a gente tem esse esse problema. Então, geralmente quando a gente tá fazendo essas coisas, sabe? Eh, eu, ao meu ver, a gente tem que entender da diversidade e a gente só entende diversidade quando a gente tá aberto, sabe, a receber essas essas coisas, sabe? Tar junto das pessoas, compreender que o mundo é muito além do que minha parede quatro por qu, sabe? Sabe maior que até o quarto a música do TNT, mas é sobre isso mesmo. É, é expandir o horizonte, olhar em volta, conversar com as pessoas e tentar entender que um lá Nilson Norman Nilson and Norman. Ele sempre diz, né? Você não é o seu produto. O usuai passa 99% do tempo dele em outros produtos. Então, tu não pode contar que tu seja o bamb bambã, que todo mundo sabe. Ah, isso é é familiar, todo mundo sabe. Será que todo mundo sabe? É, é um quarto. É, é, recentemente você compartilhou sobre sua, recentemente agora, né, você compartilhou que você é uma pessoa super dotada e trouxe nova camada para sua identidade, né? Essas descobertas, elas já ressignificam sua trajetória profissional de algum ponto? Foi muito louco. Primeiro que aos 11 anos eu entendi que as pessoas não enxergavam só pra frente que nem eu, né? Que as pessoas tinham, sei lá, 170º de amplitude visual assim, caraca, as pessoas não enxergam que nem eu. E literalmente no ano passado, 47 para 48 anos, eu descobri que as pessoas não pensam como em geral, tá? Hã, a camada, maior camada da sociedade, porque, enfim, eu eu não sei percentuar isso, gente. Só eu sou de humanas total, assim, sou bem ruim com número, com data, com nome e geografia, mas é uma camada muito pequena da sociedade, da comunidade e tals, e tem superdotação e daí já me acharam, nossa, que arrogante, fui falando que é superdotado. Mas gente, é só o jeito que a minha cabeça funciona. Superdotação é uma condição. Não, não sou gênio. Sou gênio de nada. O meu cérebro funciona mais rápido para as coisas que eu tenho interesse. Então o que significou foi eu entender que o meu tempo é outro, que a minha régua é outra. Acho que a grande diferença é essa. A minha régua é outra. E eu tenho muita facilidade de fazer avaliação de tela, de linkar com compli com diretriz, de lembrar que no banco XPTO fizeram a mesma coisa e que eles tomaram processo em tal lugar. Para mim é muito fácil. Muito, muito, muito fácil. Igual para algumas pessoas desenhar um quadro belíssimo com carvão, é muito fácil. Eu não consigo fazer um círculo nem quando eu enxergava, sabe? Então é isso, sabe? Minha mente é lóoja para algumas coisas, lógica para algumas coisas e muito rápida. Então sim, isso ressignificou porque o meu chef uma pessoa maravilhosa, acolhedora, que pesquisa muito sobre pessoas. Ele entendeu que eu funcionaria melhor se eu ficasse mais dedicada algumas coisas e um pouco menos para outras e que às vezes eu preciso do hiperfoco. Eu real às vezes preciso não me dá um por favor me extrai uma planilha com 30.000 comentários de associados, a gente não chama de cliente, de associados reclamando. Eu preciso, preciso ler, eu preciso mexer numa planilha, eu preciso fazer uma coisa mecânica. E daí eu fico lá eu já, só que para mim é rápido. Primeiro que o leitor de tela fala muito rápido, não é mesmo? GL rapidão. E eu vou conseguindo assimilar aquilo e depois daquilo, não. Tá, agora eu tô mais tranquilo, me atualizei em relação ao nosso produto, passou no hiperfoco, próxima. Não assim, ressignificou dessa forma que agora isso aí pedir ajuda. E é uma coisa que eu não tinha entendido ainda, que pedir ajuda tá tudo bem. E daí eu isso comecei a fazer terapia também. e descobri que não só sou superotada, como também sou autista. E daí ficou mais ainda. Por que que eu fico ansiosa quando vou entrar numa reunião que ninguém dá contexto? Por que que eu fico nervosa quando eu marquei a reunião com uma pessoa e entram do 12ce? Eu que não tem previsibilidade e daí se sai da minha rotina eu quebro. É por conta da superdotação, eu consigo voltar mais rápido. Mas e daí? E por trabalho trabalhar em um lugar muito acolhedor e também muito diverso, eu hoje posso só dizer: "Gente, pera, eu vou ter que sair um pouco, mas eu já volto, tá? Eu só vou regular e já volto." E daí tá tudo bem para você? Foi muito importante até pra minha profissão, né? que agora eu consigo trazer ainda mais camadas, porque gente é uma satisfação dizer que eu sou paga para haver problema, para problematizar telas, textos e dares. Então assim, eu consigo dizer, ó, isso aqui é um problema para tais pessoas, pode ser para outras, mas que eu me lembro agora para tais pessoas que pode dar um impacto. Um texto muito difícil, voltando que a gente tava falando antes, vai ser muito difícil para menor, pra gente que tem menor letramento, isso e aquilo. Pessoas estrangeiras, como eu já falei também, mas em geral pessoas surdas não são tão letradas. Tem gente bilingua, isso aquilo, mas não é a grande maioria das pessoas surdas. Em geral, o idioma principal dessas pessoas é o Libras. E estou aprendendo Libras dedicadíssima. Adoro as sinais para me comunicar em geral. Esse texto difícil vai ser difícil mais ainda para essas pessoas. Então, em geral consigo problematizar ainda mais, o que traz uma camada de melhoria pros produtos que eu trabalho, né? É, quando no caso de Libras existe uma problemática maior. Existe uns que sabem ler português, uns que sabem só Libras, existe surdos que não sabem é Libras. É muito muito cheio de particularidade, né? A comunidade surda. Sim, a comunidade surda é um mundo à parte que eu sou encantada, sou apaixonada pela comunidade surda, mas é isto. Tem o Sotaque, que o Libras de Canoas, que é uma cidade um pouco diferente do Libras de Porto Alegre, que é completamente diferente do Libras de Olinda, mas tem surdos que a família protege de uma forma que eles sabem fazer mímica, não é Libras, né? Então é bem demandante assim, é uma tensão toda maior e que a sociedade também não olha para essas pessoas. Eh, recentemente, eh, eu, ano passado eu aprendi que eu sabia que na época que a Xuxa ensinava o alfabetário alfabetário da Xuxa na TV, eu sabia, até hoje eu sei de letras, né? E aí isso não é Libra, né? O alfabeto de gesto de Libras é muito mais do que Exatamente. O que eu sabia foi por água baixo, sabia pouco e agora não sei de mais nada, né? Não, se tu não sabe uma palavra, sua letra já ajuda muito, muito, muito, muito. Mas imagina se toda a nossa comunicação fosse só letrando. Imagina Tu, D o eu, e, e U, v ou U. Não, né, gente? Tá interminável, né? Não dá. E aí a gente trouxe eh coisas sobre consumo de conteúdo, né? Todo mundo consome de forma diferente, né? baseado nas suas experiências, suas suas vivências, né? Isso afeta diretamente a experiência do usuário. Quais são os cuidados que você acredita que ainda estão fora do radar para equipes de produto quando se trata de diferentes perfis sensoriais e cognitivos? Deixa eu primeiro contar um negócio que TikTok não é acessível, tá? Não dá para usar. Já baixei. Não funciona. Coletor de tela não funciona. Então a gente volta código partindo do pressuposto que o código tá certo. ã, o Instagram, por exemplo, ele já agora consegue transcrever automaticamente as falas, então já minimamente tá atendendo as pessoas surdas letradas, né? Lembrando. Mas eu Ana cega sigo não conseguindo saber o que está no texto de stories. Eu tenho que fazer ali uma manobra no iPhone, no Android, nem se acho que no Samsung até funciona, nos outros não. A parte que eu acho mais eh que o pessoal não tá ligando é tudo muito automático. A rolagem da tela é automática. Se tu toca no botão do, não é o stories, um negócio lá do do YouTube, os shorts, ele simplesmente começa a tocar o vídeo. Gente, calma, eu só bati no dedo, calma. Tinha que estar um play ou pause nas coisas e em geral a gente não sai play, pause nas coisas. ã, tu consegue acelerar a voz e é pouco. Aquelas duas vezes ali do WhatsApp é muito pouco, mas no WhatsApp acho que até consegue deixar em 0,75. Mas nas outras plataformas não. Tem gente que precisa de uma voz bem mais lenta, né? A sociedade tá precisando calmar. Verdade. Todo mundo. ã, as configurações de de tudo que não for ali padrão, em geral estão escondidas no Instagram a partir de colocar o texto alternativo de imagem. Pestagem, eh, configurações, configurações avançadas, acessibilidade para cair no texto alternativo. Então assim, precisava facilitar cometer uma heresia. Agora Twitter era lindo para isso antes de ser contrado. Colocava uma imagem legando popar escreve aqui o texto alternativo. Isso vai tornar a sua imagem inclusiva para pessoas que não enxergam, não só para pessoas que não enxergam, tá gente? Texto alternativo facilita para um monte de gente, mas o público tem ação se pessoas segue, então eu acho que isso sabe facilitar o acesso à inclusão, tá? Galera, tá devendo. E então parte de janela de Libras não existe, né? Não tem. Até porque volta que a gente acabou de falar seria muito difícil fazer, por exemplo, ou ali da Meu Deus, esqueci o nome da H Talk. Ele usa o livro de São Paulo e assim tem sinais. Ô meu Deus, se eu posso falar um tem um sinal, por exemplo, no Rio Grande do Sul, é mês. Posso falar isso? Azar fal de tu faz de um jeito, é mês. E se tu faz de algo invertido é camisinha. E São Paulo é o contrário. Se um surdo daqui usa o sinal de Libras para mês, o de São Paulo vai entender camisinha dentro do contexto, lógico, porque a pessoa entende. Então é muito difícil tu ter uma ferramenta automatizada de tradução para Libras que vá ser fidedigno pro país, mas de alguma forma atenderia minimamente, né? Eh, do mesmo jeito que eh a gente tem jargões, né? E gírias. sotaques diferentes, né? Libras também tem essa particularidade, né? Eh, você trouxe publicamente algumas reflexões sobre conflitos e disputas internas entre pessoas cegas, né? Por que você é tão importante falar sobre isso, né? Como essas lições afetam o coletivo da acessibilidade? Era fofoca, né? Sinal de línguas para fofoca, tesourinha da língua. Isso é da tem gente que se aproveita da situação ou da condição para se dizer profissional de alguma coisa ou especialista de alguma coisa. Eu não sou especialista em acessibilidade, tá gente? Eu trabalho com foco em acessibilidade, me especializando em conteúdo. Não é porque eu sou cega que eu sei fazer isso. Mas sim, existem pessoas, não só cegas, tá? Que que se colocam nessa posição de especialista usando a sua condição e não o seu conhecimento, não a sua experiência profissional. dentro da comunidade, as comunidades, as pessoas sabem por nome, onde trabalho, isso aquilo. E é importante a gente saber que essas pessoas estão tomando lugar das outras, né? E não só pessoas com deficiência, né? Tem pessoas que se colocam como referência de mercado, a pessoa surge do nada e já se coloca como especialista e vende curso ou não sei quê, não sei qu, não sei quê. Tete da pessoa não é acessível. A comunicação dessa pessoa não é acessível. Então assim, é que se toma muito cuidado que oportunista tem independente do sid, sabe? É tudo ser humano. E meu pai tinha uma frase maravilhosa. Ser ser humano é o pior tipo de gente que tem. As pessoas são pessoas, tá? O ser humano é falho. Então não acredite que por conta da idade uma pessoa é boa ou ruim. conta da pouca idade, a pessoa é é menos experiente ou mais experiente, das melhores pessoas com quem eu trabalhei, ela foi minha chefe. Na época ela tinha 22 anos, mas era uma excelente profissional. Então, né, já os preconceitos do E é também preconceituoso tu jogar que, por exemplo, uma pessoa cega vai ser um excedente profissional de análise, de acessibilidade, porque ela sabe usar o letor de tela. Não, não necessariamente tem toda uma técnica envolvida. Então, muitos cuidados. Muitos cuidados. É, no das conv nos episódios anteriores, eu falei com Bruno Elber, que ela é o líder de acessibilidade da NTT Data. Aí deixa claro para as pessoas tomarem cuidado com esse termo de especialista em acessibilidade, pessoa, por exemplo, Canou a WCAG, sabe? Isso aí, segundo ele, enfraquece o movimento, porque quem de fato tá estudando não consegue ter força porque é derrubado por essas esse essas pessoas que se dizem especialistas ou coloca W decora WCG e não sabe aplicar a parte de experiência. Eu só queria, e eu sempre falo isso, na WCG, toda a parte de comunicação e conteúdo é tripla A, não é obrigatório. A gente tá no Brasil, gente. Comunicação não for boa, não vai conseguir chegar nas pessoas. Isso para daragem não é importante. Hoje a gente tem a BNT, tá para seu decreto. A BNT a 17225 que é pra web. É linda, linda, linda, linda. Para quem faz avaliação, então assim, ó, fogo de artifício. A 17060 que é para conteúdo mobile. Ela é interessante, ela é bem legal, ela é mais direta, lógico, ela é focada no mobile, né? Então assim, tomar muito cuidado com pessoas que sempre levam a conversa para um lado. Ah, porque a WCG tá, mas eu tô falando de texto. Ah, mas a WCG não toma muito cuidado com as pessoas. É. E aí a gente tá falando sobre comunidade, conflito e polaridade, né? Você tem uma bagagem muito rica de referências e você compartilha com generalizado, né? Você disse que não ia

Wagner Beethoven: dizer nome de ninguém aqui, mas eu queria pedir perguntar a você se você tem indicação que você deixaria para quem tá começando, né, a se abordar no tema com seriedade. Eh, hoje tá mais difícil porque quase as a galera tá postando muita coisa no LinkedIn que a gente sabe que a gente da comunidade sabe porque as pessoas estão nos grupos e as pessoas não se comunicam daquele jeito. Assim, realmente hoje em dia tá mais perigoso até, né? Simplesmente no linkedin por #enessibilidades. Tem

Ana Gouveia: lendo. Eu sempre indico a Talita Pagan. Sempre sempre. Não só ela, mas todas as pessoas que ela viera indicar, eu também indicaria, sabe? Sitária Peres, eu sempre indico. O Flávio, Flávio Corre, que foi meu mentor de carreira, sempre indico. ã, eu sou péssimo para nomes, como eu falei. Então assim, não contem só por isso que eu tô falando. Tem a Jana Moreira, que é uma maravilhosa, a Bellut que fala muito de games. Pensa nos jogos acessíveis, Belle faz esse tipo de análise. Tá, o TSCH é difícil, Isabel. Muita, muita, muita gente boa, muita. Ol, guila, maravilhoso. Ai, gente, se começar sabe, do nada vai me brotando uns nomes aqui. Eu não ando postando, tá? Eu tô bem cansada de produzir conteúdo pro LinkedIn e eles não me devolverem com nada. Aquilo ali para mim é uma plataforma muito estranha e não é acessível também, tá? Preciso de ser que muito ruim de acessibilidade. O, já citei que o Magu, né, o Alexandre Santos Costa, ele posta muita coisa de desenvolvimento com algumas reflexões bem interessantes. O que eu indicaria mesmo assim pegar alguns nomes que estejam referenciados no gente. A gente percebe que tem um conteúdo mais robusto. Conversando acompanhar essas pessoas, a gente vê quem essas pessoas respeitam. Então seguida, não precisa ser só quem eu indiquei, porque eu esqueci muita gente, com certeza. Mas é isso. E procurar conversar com pessoas da comunidade, porque às vezes se comunica bem no link ali, mas a gente sabe que sei lá, é uma pessoa escrota. Aí também não dá para indicar, né? Gente escrota. Sabe do que você falou agora? Tô tentando agenda com essa turma ainda, porque eu espero trazer algum dia, né? Eh, e aí, eh, a gente fala de detalhe técnico, né? Se você pudesse dizer alguma coisa direta para designers e desenvolvedores que ainda deixam isso para depois, o que que você diria? Trula a dizer que depois faz. Meu mé de capoeira fala um negócio maravilhoso. Com isso de depois eu ajeito. Deus deixou o caranguejo sem pescoço. Gente, sai mais barato. Fazer certo de primeira é igual obra da causa, sabe? Não adianta fazer a causa e depois encher para clã. Mas fica feio quando bota acessibilidade assim, só foi pensar depois. fica sem não é difícil atingir o contraste mimo. Amarelinho do branco não é bonito na boca pode ser na parede mas numa tela é presta. Pequenininho vocês estão desenvolvendo para quem? Eu também pequenininho. Vocês estão pensando em vocês no futuro não vai pequeno os celulares são grandes de quem cara pálida? O pequeninho não é todo celular que é grande. Então eu acho que esse olhar mais humilde poderia ajudar as pessoas, né? Mas assim, gente, por favor, pensar numa sequência que tem aplicado, tipo aqui no no Discord, o botão de abrir a câmera não fica do lado do botão de abrir o microfone. Por quê? Tem umas coisas que não fazem sentido, mas alguém pensou nisso. Alguém estabeleceu uma lógica para pensar naquilo, porque sempre serão importantes. Quanto maior o time, quanto mais gente fizer critic, fizer review e passar por aquilo ali, porque assim, a gente se apaixona pela solução que a gente cria, né? E daí eu com meu filho, não vejo defeitos do meu filho, moleque lindo, maravilhoso, mas quem olha de fora diz: "Nossa, moleque maior chato, não para de falar igual a mãe dele, só falam." Olha isso. Teu produto é a mesma coisa, entendeu? Tem que passar pelo olhar do outro também. E não é não é nada pessoal, gente. Tá falando de telas. As telas a gente é pago para fazer tela, então vamos fazer umas tela boa aí, né? Perguntar só pergunta suas perguntas para pessoas com deficiência. O que que representa a tecnologia pra vida de uma pessoa com deficiência? Lobia total. Sim, vou falar uma coisa horrível, mas não me entendam, malta. A pandemia fez com que todo mundo fosse para online. Todas as lojas fosse para online. Um iood bombô. Isso trouxe tanta autonomia pra gente que não gosta de sair de casa. Eu sou que eu não gosto de chegar numa loja e pedir pro vereador me mostrar as bolsas pretas. Eu não gosto. Não, eu preciso fazer po eh supermercado. Supermercado é muita informação e muito estímulo. Eu fico ansiosa, fico nervosa. Hoje eu posso fazer uma compra online quieta, deitada na minha cama. Isso vai ser entregue na minha porta, na minha portaria. Coisa meio burguesa, sabe que eu tô falando? E muita gente molhou pandemia, eu perdi gente, eu peguei pedir do covid. Mas é isso, todo mundo teve quear em outras formas de vender, né, e de outras formas de estar disponível. Isso trouxe autonomia para muita gente. Hoje a gente tem Mercado Livre que entrega no mesmo dia e tal. A logística das coisas também melhorou. Acabou que melhorou para todo mundo. Mas aí falando master da tecnologia que a gente mal citou aqui, a Iá, né? Eu t traz autonomia sendo bem usada, né? A gente usando pro bem e não fic ficar a internet é uma merda. É quem tá escrevendo no teclado, não, a internet não tá sozinha se alimentando, né, gente? Então assim, não vamos culpar o mensageiro, mas a tecnologia total sobre autonomia. A gente segue dependendo do outro ser humano. Isso não vai mudar, né? Um humano tem que cuidar do outro, pelo menos deveria. Mas a tecnologia é o que nos iguala. Bacana demais a gente tá esse tipo de coisa, porque quem não tem deficiência não imagina o impacto, né? Que esse tipo de coisa é o qu transformador pode ser

Wagner Beethoven: tecnologia, né? E aí, Ana? Só para finalizar, eu queria eh deixar esse espaço aberto para você comentar alguma coisa que você queira pro nosso pra nossa audiência ou aí vai alguma informação que você quer e que já foi falada, né? Primeiro, obrigada, tá? Obrigada mesmo pelo convite, gente. Vou fazer uma fofoca. Ele me mandou mensagem no LinkedIn, eu li, e respondi mentalmente e nunca mais voltei. Primeiro, obrigado. Que a gente tem uma amiga em comum. Ah, nossa, meu Deus, que vergonha. Então, assim, sobre vergonha, não tenho vergonha de perguntar. Se quiser perguntar para mim, chama ali no Lquedin. Se a gente tiver algum grupo e comando no WhatsApp, me marca ali, me pergunta, daí a gente combina. Me chama em privado. Não me chame em privado direto, tá? Eu me dá gatilho isso. Meio nervosa, mas super adoro conversar assim como o Wagner falou ali na abertura, um um shopping center de assunto pra gente conversar aqui. Mas não tenho pergunta, não tem pergunta boba. Bobo é não perguntar e fazer coisa errada, supondo que talvez um dia possa ajudar. Então é isso, perguntem. Bom, pessoal, e agora eu chego no final, eu queria muito agradecer a Ana pela disponibilidade e lembrar todo mundo que o foco acessível tá no YouTube e tá no Spotify no YouTube, se vocês puderem curtir, compartilhar e seguir o canal. E no Spotify, por favor, sigam e avaliem o o podcast lá. A gente tá em outras e plataformas de áudio também, Diesel, Amazon e etc. Eh, todas as informações desse episódio de links vão estar no focoacessível.com.br. br. Muito obrigado até aqui e lembre-se, acessibilidade cedo ou tarde vai impactar a sua vida. [Música]

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